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Perdidamente

Elymar Santos

Ser poeta
É ser mais alto
É ser maior
Do que os homens!

Morder
Como quem beija!
É ser mendigo
E dar, como quem seja
Rei do Reino
De Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos
O esplendor
E não saber sequer
Que se deseja!

É ter cá dentro
Um astro que flameja
É ter garras
E asas de condor!

É ter fome
É ter sede de Infinito!
Por elmo
As manhas de oiro
E de cetim

É condensar o mundo
Num só grito!

E é amar-te, assim
Perdidamente
É seres alma, e sangue
E vida em mim
E dizê-lo cantando
A toda a gente!

E é amar-te, assim
Perdidamente
É seres alma, e sangue
E vida em mim
E dizê-lo cantando
A toda a gente!

Ser poeta
É ser mais alto
É ser maior
Do que os homens!

Morder
Como quem beija!
É ser mendigo
E dar, como quem seja
Rei do Reino
De Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos
O esplendor
E não saber sequer
Que se deseja!

É ter cá dentro
Um astro que flameja
É ter garras
E asas de condor!

E é amar-te, assim
Perdidamente
É seres alma, e sangue
E vida em mim
E dizê-lo cantando
A toda a gente!

E é amar-te, assim
Perdidamente
É seres alma, e sangue
E vida em mim
E dizê-lo cantando
A toda a gente!

E é amar-te, assim
Perdidamente
É seres alma, e sangue
E vida em mim
E dizê-lo cantando
A toda a gente!

Composição: Florbela Espanca, Trovante (P 3)