Viajar nunca foi só destino
Sempre foi aprender a olhar
Os detalhes pequenos da vida
Que a correria costuma apagar
Nosso pequeno vê um inseto na estrada
E se abaixa pra observar
Depois vem de volta correndo
Com mil coisas novas pra contar
E eu percebo nessas horas
Enquanto escuto sua empolgação
Que crescer também é isso
Manter vivo o encanto no coração
Porque cada caminho traz saberes
Que livro nenhum consegue ensinar
Tá na terra, no cheiro da chuva
E no jeito simples de alguém falar
Tá num doce servido no interior
Na prosa boa ao anoitecer
Na cultura passada de geração em geração
Pra quem tem tempo de ouvir e aprender
Tem porteira aberta no sítio
Tem curral, cheiro de capim no ar
Tem gente simples recebendo a gente
Como quem já conhece nosso lugar
Nosso filho observa a ordenha atento
O leite ainda quente na caneca
E os olhos brilhando de curiosidade
Enquanto escuta as histórias daquela terra
Às vezes o dia vem com frio
Às vezes o Sol castiga sem dó
Mas em cada clima, cada estrada
A gente nunca se sente só
Porque o melhor da viagem
Nunca foi o luxo ou o cenário
Mas viver tudo isso juntinhos
Transformando momentos em algo extraordinário
E no fim das contas
O mundo vai ficando dentro da gente
Nos sabores, nas pessoas
Nas memórias que o tempo não leva pra frente
E talvez a maior dádiva da vida
Seja poder caminhar assim
Aprendendo com cada lugar
E tendo sempre um ao outro
No começo, no meio
E no fim