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Bichinhos de Luz

Enrique Cadícamo

Bichitos de luz

Nadie sabe quién sos
ni de dónde has venido,
nunca tu nombre se sabrá tal vez;
del olvido venís
y te vas al olvido
con tu anónima carne de placer.

Flor de pecado, por la noche vagás,
y entre las sombras
como una sombra sos,
que va ofreciendo en las pupilas magas
las promesas mentidas de tu amor.

Fama de alegre tenés
porque sonriente vas,
pero sólo es quizás
esa sonrisa el disfraz
con que escondés
tu honda amargura...
Amargura de saber
que para siempre estás
condenada a volar
en la ronda del placer,
detrás de una aventura
que tu muerte será...

Dicen que una pasión
en tu pecho encendida,
fue en tu vida siniestra sugestión;
que supiste querer
y que fuiste querida
pero todo lo diste a la ilusión.
Por eso ahora con tu propio drama,
entre las sombras,
como otra sombra vas,
tal vez buscando la traidora llama
donde el último vuelo quemarás.

Bichinhos de Luz

Ninguém sabe quem você é
nem de onde você veio,
seu nome nunca será conhecido talvez;
do esquecimento você vem
e vai para o esquecimento
com sua carne anônima de prazer.

Flor do pecado, à noite você vagueia,
e entre as sombras
como uma sombra você é,
que vai oferecendo nas pupilas mágicas
as promessas mentirosas do seu amor.

Fama de alegre você tem
porque vai sorrindo,
mas talvez só seja
esse sorriso a máscara
com que esconde
a sua profunda amargura...
Amargura de saber
que para sempre está
condenada a voar
na roda do prazer,
depois de uma aventura
que será sua morte...

Dizem que uma paixão
no seu peito acesa,
foi em sua vida uma sugestão sinistra;
que você soube amar
e que foi amada
mas tudo deu à ilusão.
Por isso agora, com seu próprio drama,
entre as sombras,
como outra sombra você vai,
talvez buscando a chama traiçoeira
donde você queimará seu último voo.

Composição: Enrique Cadícamo