Che papusa oí!
Muñeca, muñequita que hablás con zeta
y que con gracia posta batís mishé;
que con tus aspavientos de pandereta
sos la milonguerita de más chiqué;
trajeada de bacana, bailás con corte
y por raro snobismo tomás prissé,
y que en auto camba, de sur a norte,
paseás como una dama de gran cachet.
Che papusa, oí
los acordes melodiosos que modula el bandoneón;
Che papusa, oí
los latidos angustiosos de tu pobre corazón;
Che papusa, oí
cómo surgen de este tango los pasajes de tu ayer...
Si entre el lujo del ambiente
hoy te arrastra la corriente,
mañana te quiero ver...
Milonguerita linda, papusa y breva,
con ojos picarescos de pippermint,
de parla afranchutada, pinta maleva
y boca pecadora color carmín,
engrupen tus alhajas en la milonga
con regio faroleo brillanteril
y al bailar esos tangos de meta y ponga
volvés otario al vivo y al reo gil.
Ei, boneca!
Boneca, bonequinha que fala com zeta
E que com graça posta bate mishé;
Que com seus gestos de pandeiro
É a milongueirinha mais chique;
Toda arrumada, você dança com estilo
E por um raro snobismo toma prissé,
E que de carro camba, de sul a norte,
Passeia como uma dama de grande prestígio.
Ei, boneca, ouça
Os acordes melodiosos que o bandoneon toca;
Ei, boneca, ouça
Os batimentos angustiantes do seu pobre coração;
Ei, boneca, ouça
Como surgem deste tango as lembranças do seu passado...
Se entre o luxo do ambiente
Hoje te arrasta a corrente,
Amanhã quero te ver...
Milongueirinha linda, boneca e breva,
Com olhos travessos de pippermint,
De fala afrescalhada, pinta malandra
E boca pecadora cor de carmim,
Mostre suas joias na milonga
Com um brilho de farol reluzente
E ao dançar esses tangos de meta e ponga
Você deixa o otário vivo e o réu bobo.
Composição: Enrique Cadícamo