Descarte
En dirección pa'l bulín,
siempre por la misma calle,
la del tembloroso talle
y los labios de carmín,
va palpitando su fin
desde que está enferma y mal
descarte del arrabal,
que ya me parece verte,
que te da espiante la muerte
del lecho de un hospital...
Abandonaste tu hogar
en la flor de tus abriles,
tus caprichos infantiles
que quisiste realizar.
Y hoy, va a la iglesia, a rezar
arrodillada, tu vieja,
le ruega a Dios, te proteja
y te ordene regresar...
Y encima tu "shacador"
que no la va de manguero
por cada giorno fulero... le da
le da un amasijo flor.
Descarte
Em direção pro barraco,
sempre pela mesma rua,
aquela do corpo tremido
e dos lábios de batom,
vai pulsando seu fim
desde que tá doente e mal
descartada do subúrbio,
que já me parece te ver,
que a morte te dá um susto
do leito de um hospital...
Você abandonou seu lar
na flor dos seus dezoito,
suas vontades de criança
que você quis realizar.
E hoje, vai à igreja, rezar
de joelhos, sua velha,
implora a Deus, te proteja
e te mande voltar...
E ainda tem seu "shacador"
que não se faz de rogado
por cada dia furado... ele dá
e dá um amontoado de flores.
Composição: Enrique Cadícamo