395px

Boneca Indomável

Enrique Cadícamo

Muñeca brava

Che "madam" que parlás en francés
y tirás ventolín a dos manos,
que cenas escabiás copetín bien frapé
y tenés gigoló bién bacán...
Sos un biscuit
de pestañas muy arqueadas...
Muñeca brava
bien cotizada.
¡Sos del Trianón...
del Trianón de Villa Crespo...
Milonguerita,
juguete de ocasión...

Tenés un camba que te hacen gustos
y veinte abriles que son diqueros,
y muy repleto tu monedero
pa´ patinarlo de Norte a Sud...
Te baten todos Muñeca Brava
porque a los giles mareás sin grupo,
pa´ mi sos siempre la que no supo
guardar un cacho de amor y juventud.

Campaneá la ilusión que se va
y embrocá tu silueta de rango,
y si el llanto te viene a buscar
escurrí tu dolor y reí...
Meta champán que la vida se te escapa,
Muñeca Brava, flor de pecado...
Cuando llegués
al final de tu carrera,
tus primaveras
verás languidecer

Boneca Indomável

Che "madame" que fala em francês
e joga ventolins com as duas mãos,
que janta escabroso, copetinha bem gelada
e tem um gigolô bem estiloso...
Você é um biscoito
de cílios bem curvados...
Boneca indomável
bem valorizada.
Você é do Trianón...
do Trianón de Villa Crespo...
Milongueirinha,
brinquedo de ocasião...

Você tem um cara que te faz vontades
e vinte primaveras que são de arrasar,
e bem recheada sua carteira
pra patinar de Norte a Sul...
Te batem todos, Boneca Indomável
porque os bobos você engana sem grupo,
pra mim você é sempre a que não soube
guardar um pedaço de amor e juventude.

Sinalize a ilusão que está indo
e ajuste sua silhueta de rainha,
e se o choro vier te buscar
escorra sua dor e ria...
Beba champanhe que a vida tá passando,
Boneca Indomável, flor do pecado...
Quando você chegar
ao final da sua carreira,
suas primaveras
você verá murchar.

Composição: Enrique Cadícamo / Luis Visca