BUDISMO MODERNO
Tome doutor essa tesoura e corte
Minha singularíssima pessoa
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo meu coração depois da morte
Ah! Um urubu pousou na minha sorte
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptogama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte
Dissolva-se por tanto minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo
Mais o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo.
BUDISMO MODERNO
Toma, doutor, essa tesoura e corta
Minha pessoa tão única e rara
Que importa pra mim que a bicharada roa
Todo meu coração depois da morte
Ah! Um urubu pousou na minha sorte
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptogama cápsula se esboroa
Ao contato de uma bronca forte
Dissolva-se, então, minha vida
Igual a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infértil
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas grades eternas
Do último verso que eu fizer no mundo.
Composição: Escurinho / Poema De Augusto Dos Anjos