Eu sei que o mundo murmura
E fala, sem ter razão
Do meu viver de amargura
Porque lhe dei com ternura
O meu pobre coração
Um dia vi-o passar
Em certo bairro fadista
Fiquei presa ao seu olhar
E deixei-me enfeitiçar
Assim, à primeira vista!
Tão louca, fui ter com ele
A dizer-lhe o que sentia
Disse que gostava dele
Mas ele com um ar cruel
Respondeu que não me queria
Ergui os olhos aos ceús
E uma praga lhe roguei
E com fé pedi a Deus
Que cegasse os olhos seus
Como de amor eu ceguei