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A Metáfora Do Carvão

Fernando Alva

Todo mundo aplaude o fogo
Na noite fria ele vem pra aquecer
Mas poucos procuram a lenha
Quando é preciso fazer acontecer

Todo mundo aprecia a brasa viva
Que traz luz e calor ao ar
Mas há quem prefira distância
Quando é hora de trabalhar

Pensar também deixa marcas
Questionar pode incomodar
Há ideias que nascem queimando
Antes de alguém as aceitar

O pensamento é como o carvão
Pode alimentar uma chama
Mas quem quer chegar ao fogo
Precisa sujar a própria mão

É fácil notar a fumaça
Difícil é acender o braseiro
Muita gente quer o churrasco
Mas esquecem
O carvão vem primeiro

Há quem prefira ideias prontas
Sem nunca perguntar por quê
Aceita qualquer resposta
Que não obrigue a se mover

Porque pensar abre portas
Que talvez não queira atravessar
E depois que a mente desperta
Não há o que impeça de sonhar

Nem todo fogo é confortável
Nem toda verdade traz paz
Quem não encara essa realidade
Jamais saberá do que é capaz

O pensamento é como o carvão
Pode alimentar uma chama
Mas quem quer chegar ao fogo
Precisa sujar a própria mão

É fácil notar a fumaça
Difícil é acender o braseiro
Muita gente quer o churrasco
Mas esquecem
O carvão vem primeiro

Se minhas mãos ficarem sujas
Que fiquem pelo que construí
Melhor carregar algumas marcas
Do que nunca tentar descobrir

Porque uma ideia sem coragem
É apenas fumaça no ar
E uma mente que nunca se arrisca
Não sabe até onde pode chegar

O pensamento é como o carvão
Pode alimentar uma chama
Quem deseja chegar ao fogo
Não pode temer sujar a própria mão

Se a fumaça cobrir meus olhos
Eu ainda posso sonhar
Quando o fogo virar brasa
Posso enfim despertar

Composição: Fernando Alva