A favela dorme, e os malucos acordados
Polícia, compradores, vagabundos e viciados
Quem faz a fita aí, truta chama de correria
Rouba a noite inteira e chega no clarear do dia
O barraco de madeira e a telha brasilit
Calor insuportável esperança não existe
Quantos me viram nascer e crescer aqui
Perdi a conta de quantos, querem me ver cair
Respeito a quebrada, mais nem por isso não troquei tiro
Respeito não vem do lixo, subir descer, cair e levantar
Sou bicho solto acostumado com as ruas de terra e cheiro de esgoto
Holofote do helicóptero, viaturas na esquina
Carro de fuga na fuga, pai de família não brinca
Um casal de filho para sustentar, agora já era
Bala por bala na troca malandro sempre erra
Munição de policia nunca acaba se pá ele escapa
Mais uma história mais uma biografia
Best-sellers da favela, diário da periferia
Mais uma história mais uma biografia
Best-sellers da favela, diário da periferia
Mais uma história mais uma biografia
Best-sellers da favela, diário da periferia
Vagabundo conhece as ruas e os becos da quebrada
Noite tensa e o silêncio toma conta do barraco
Ninguém viu se viu, a lei por aqui você tá ligado
Você tá ligado
Enquanto isso eu no meu barraco, estou escrevendo um rap
Ou uma história, biografia
O sofrimento vejo o mano morrendo
No cachimbo, na pedra no pó, guerra civil
Onde mano mata, mano sem piedade sem dó
Guerra civil
Hã patrão tem mil a disposição, quando roda, roda só
Ostentação de ouro, prata, carro, mulher, mansão e o córró
Não sabe quem, quem compra quem vende, dinheiro, e a soma
São Paulo, rio, brasília Babilônia, igual a Sodoma, hã Gomorra
Que morra na garoa na madrugada ou na biqueira
Jardim das indústrias, são José levanta a bandeira
Mais uma história mais uma biografia
Best-sellers da favela, diário da periferia
Mais uma história mais uma biografia
Best-sellers da favela, diário da periferia
Do jardim das indústrias, para a vila estrutural
Aqui nasce o doido e filosofia urbana