395px

O Último Homem

Flerte Flamingo

Pra que eu vou me enganar, maltratar meu coração?
Se a tempo eu te pedi socorro, hoje eu te peço perdão
E que, sem saber quem era eu, me fiz do barro com o barro do chão
Sequei minha cara, eu engoli meu choro, eu me entreguei na imensidão

E para não duvidar, se faz que não
Eu não faço, eu só deixo de mão
Se deixar desapaixonar, assim cessa só o que sai de mim
Num toque o barro a se encantar
Se faz o som, o soneto, a sonata e a canção
Pra o inverso descobrir o mundo, cultivado grão a grão

Puxando desse jeito mais do que devia
Você vem me dizer, sendo que eu já sabia
Tem lugar pra sentar, mas tá faltando mesa
Você parece achar, mas eu tenho certeza
Agora que tá feito eu sei que não devia
Você foi se metendo aonde já sabia
Me deram carta branca, eu pintei de vermelho
Por você eu rezo, mas não me ajoelho
Tentando colocar bem mais do que cabia
E pra não duvidar, transmita essa agonia
Se tudo lhe incomoda, viesse primeiro
Não ia dar na moda