395px

Adeus

Francesco Guccini

Addio

Nell'anno '99 di nostra vita
io, Francesco Guccini, eterno studente
perché la materia di studio sarebbe infinita
e soprattutto perché so di non sapere niente,
io, chierico vagante, bandito di strada,
io, non artista, solo piccolo baccelliere,
perché, per colpa d'altri, vada come vada,
a volte mi vergogno di fare il mio mestiere,

io dico addio a tutte le vostre cazzate infinite,
riflettori e paillettes delle televisioni,
alle urla scomposte di politicanti professionisti,
a quelle vostre glorie vuote da coglioni...

E dico addio al mondo inventato del villaggio globale,
alle diete per mantenersi in forma smagliante
a chi parla sempre di un futuro trionfale
e ad ogni impresa di questo secolo trionfante,
alle magie di moda delle religioni orientali
che da noi nascondono soltanto vuoti di pensiero,
ai personaggi cicaleggianti dei talk-show
che squittiscono ad ogni ora un nuovo "vero"
alle futilità pettegole sui calciatori miliardari,
alle loro modelle senza umanità
alle sempiterne belle in gara sui calendari,
a chi dimentica o ignora l'umiltà...

Io, figlio d'una casalinga e di un impiegato,
cresciuto fra i saggi ignoranti di montagna
che sapevano Dante a memoria e improvvisavano di poesia,
io, tirato su a castagne ed ad erba spagna,
io, sempre un momento fa campagnolo inurbato,
due soldi d'elementari ed uno d'università,
ma sempre il pensiero a quel paese mai scordato
dove ritrovo anche oggi quattro soldi di civiltà...

Io dico addio a chi si nasconde con protervia dietro a un dito,
a chi non sceglie, non prende parte, non si sbilancia
o sceglie a caso per i tiramenti del momento
curando però sempre di riempirsi la pancia
e dico addio alle commedie tragiche dei sepolcri imbiancati,
ai ceroni ed ai parrucchini per signore,
alle lampade e tinture degli eterni non invecchiati,
al mondo fatto di ruffiani e di puttane a ore,
a chi si dichiara di sinistra e democratico
però è amico di tutti perché non si sa mai,
e poi anche chi è di destra ha i suoi pregi e gli è simpatico
ed è anche fondamentalista per evitare guai
a questo orizzonte di affaristi e d'imbroglioni
fatto di nebbia, pieno di sembrare,
ricolmo di nani, ballerine e canzoni,
di lotterie, l'unica fede il cui sperare...

Nell'anno '99 di nostra vita
io, giullare da niente, ma indignato,
anch'io qui canto con parola sfinita,
con un ruggito che diventa belato,
ma a te dedico queste parole da poco
che sottendono solo un vizio antico
sperando però che tu non le prenda come un gioco,
tu, ipocrita uditore, mio simile...
mio amico...

Adeus

No ano '99 da nossa vida
Eu, Francesco Guccini, eterno estudante
Porque a matéria de estudo seria infinita
E principalmente porque sei que não sei de nada,
Eu, clérigo vagante, bandido de rua,
Eu, não artista, só um pequeno bacharel,
Porque, por culpa de outros, vá como for,
Às vezes me envergonho de fazer meu trabalho,

Eu digo adeus a todas as suas baboseiras infinitas,
Holofotes e paetês das televisões,
Aos gritos descontrolados de políticos profissionais,
Às suas glórias vazias de idiotas...

E digo adeus ao mundo inventado da aldeia global,
Às dietas para manter-se em forma esplêndida
A quem fala sempre de um futuro triunfante
E a cada empreendimento deste século triunfante,
Às magias da moda das religiões orientais
Que aqui só escondem vazios de pensamento,
Aos personagens tagarelas dos talk-shows
Que gritam a cada hora uma nova "verdade"
Às futilidades fofoqueiras sobre os jogadores bilionários,
Às suas modelos sem humanidade
Às eternas beldades em competição nos calendários,
A quem esquece ou ignora a humildade...

Eu, filho de uma dona de casa e de um funcionário,
Crescido entre os sábios ignorantes da montanha
Que sabiam Dante de cor e improvisavam poesia,
Eu, criado a castanhas e a erva-mate,
Eu, sempre um momento atrás camponês urbanizado,
Dois tostões de primário e um de universidade,
Mas sempre com o pensamento naquele país nunca esquecido
Onde ainda encontro hoje quatro tostões de civilização...

Eu digo adeus a quem se esconde com arrogância atrás de um dedo,
A quem não escolhe, não participa, não se arrisca
Ou escolhe ao acaso pelos caprichos do momento
Cuidando sempre de encher a barriga
E digo adeus às comédias trágicas dos túmulos caiados,
Aos cerões e perucas para senhoras,
Às lâmpadas e tinturas dos eternos não envelhecidos,
Ao mundo feito de bajuladores e prostitutas de hora,
A quem se declara de esquerda e democrático
Mas é amigo de todos porque nunca se sabe,
E depois quem é de direita também tem seus méritos e é simpático
E é até fundamentalista para evitar problemas
A este horizonte de negociantes e trapaceiros
Feito de neblina, cheio de aparências,
Repleto de anões, bailarinas e canções,
De loterias, a única fé que se pode esperar...

No ano '99 da nossa vida
Eu, um palhaço qualquer, mas indignado,
Eu também canto aqui com palavras cansadas,
Com um rugido que se torna um balido,
Mas a você dedico estas palavras simples
Que subentendem apenas um vício antigo
Esperando, porém, que você não as tome como um jogo,
Você, ouvinte hipócrita, meu semelhante...
Meu amigo...

Composição: Francesco Guccini