Meu amor, se tu queres saber
Qual a razão deste meu padecer
Porque motivo me ausento de ti
Ó, vem escutar-me aqui
Não é medo, meu bem, qual o quê
Eu já te digo qual a razão
Pois que eu tenho paixão por você
Dou sempre o fora na melhor ocasião
Tens um pai que é de temer
O que me faz sofrer
Perder o santo, até
Tens um pai que é de temer
O que me faz sofrer
Perder o santo, até
Pois, se já sabes como é
Se ele descobre que eu vou lá
Tenho mesmo que fugir
Pois não dou para o fubá
Tua mãe, ai Jesus, não sei mais
Que te dizer, meu amor, de teus pais
Tu tens por mãe uma velha feroz
Que do inferno caiu entre nós
É perversa, é cruel, é um azar
E não me dá uma folga sequer
Coisa pior não se pode encontrar
É obra-prima, magistral do Lúcifer
Quando em noite de luar
Tu fores, formosa, ao fundo do jardim
Quando em noite de luar
Tu fores, formosa, ao fundo do jardim
Vê se te lembras de mim
Quando pulavas o quintal
Que ficaria frio e sério
Se teu pai desce o portal
Teus maninhos me pedem tostões
Sujam-me a roupa e me arrancam os botões
Mas tu não sabes que é natural
Eu bem sei que não é por mal
Mas não posso, a despesa é demais
Cair no mangue é melhor, minha flor
Crio alma nova e tu ficas em paz
Saúde e [?] te desejo, meu amor