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Até As Flores Mentem

Francisco Alves

Em um jardim à beira-mar
Fazia um luar de lírio alvor
E o seu [?] tinha o fulgor
Da cor do meu primeiro amor

Estava ali, a meditar
A meditar, pensando em ti
A suspirar, pensando em ti
Quando uma flor, falar, ouvi

Era a rosa que cantava e a sorrir
Era contigo que ela sonhava
E eu, que nunca tinha visto a flor dormir
Pus-me a ouvir, ouvir

No seu langor, deitava a flor
A soluçar no ardor do [?]
Chorava a dor [?], pranto de amor
Sob o esplendor de um céu de anil

E até chorei, oh que prazer
E a flor garbosa do jardim
Aos céus olhar, sorrindo ao luar
Dizia assim, dizia assim

Oh Senhor, sonhar com ela
Como esta noite é de encantar
Ai, como a noite está tão bela

Oh Senhor, que bela estava
Ouvindo o terno palpitar
Daquele seio a suspirar

Com paixão à flor eu disse, então
Oh tu, que o coração conheces dela
Diz-me a mim se é vero o seu amor
E a flor, sonhando ainda, assim me diz [?]

Oh feliz tu és, poeta
A tua mais dileta flor
A nossa irmã de mais candor
Tem amor a ti, ardente
Somente vive por te amar
E morrerá por te adorar

Composição: Juventino Rosas, Catulo da Paixão Cearense