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Bem-te-vi

Francisco Alves

À sombra de enorme e frondosa mangueira
Coberta de flores, à tarde, ao cair
A virgem dos campos, morena garbosa
Cantava ao amante meiguices, a rir

O céu era belo na beira da estrada
Cantava o encontro nas moitas do ipê
E os olhos da virgem tornavam-se lânguidos
E os olhos mais rubros que o rubro café

E qual uma flecha que envia o selvagem
Uma ave num ramo, num galho pousou
E o jovem dizia palavras mais ternas
E a virgem mais ternas venturas sonhou

Se deres-me um beijo, trigueira, em minh'alma
Terás sempre afetos de lírio e paixão
No pouso uma rede de penas, bem feita
Na minha viola saudosa canção

Depois desse beijo, talvez o primeiro
Não sei que mistério passou por ali
Cobria a trigueira [?] semblante
E a ave voando gritou: Bem-te-vi

Composição: Miguel Emídio Pestana, Melo Morais Filho