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Canção da Noite

Francisco Alves

A cidade dorme um sono alado
E para o céu meu ser está voltado
Doce mistério, então, flutua e a Lua
Sonhar parece num passado

Penso num amor cruel, tristonho
Oh que penar, sofri dentro de um sonho
Essa natureza, cheia de tristeza
Um triste e frio olhar eu ponho

Oh se Deus me desse esse poder de assistir
O céu, à noite, quando desce
E lá, no azul, eu viveria a sorrir
Sem mais sofrer de amor

No convívio doce das estrelas a brilhar
Talvez fugisse à minha dor
Pobre de mim, querendo assim
O céu e as graças do Senhor
Se sou um triste pecador

No convívio doce das estrelas a brilhar
Talvez fugisse à minha dor
Pobre de mim, querendo assim
O céu e as graças do Senhor
Se sou um triste pecador

Neste sono imenso da cidade
Vejo, assim, o que é serenidade
Doce mistério, então, flutua e a Lua
Parece rir da humanidade

Todo o firmamento a ofuscar
Depõe o olhar nas mágoas deste mundo
E a natureza, presa de tristeza
Provoca, enfim, um dó profundo

Composição: Lamartine Babo, Pedro de Sá Pereira