Onde estás, meu amor
Lá longe, ai, tão longe
Duas sombras iam de mãos dadas
Toda a noite nas calçadas daquela rua
O luar apagou na rua deserta
Uma sombra triste, abandonada
Na penumbra, amargurada, se perdeu
Deixa-me chorar perdidamente
Este pranto antigo de aflição
No fim daquela rua escura
Brotou o mato verde do perdão
Deixa-me que chore, recordando
Mãos que me afagaram o coração
Do teu país não se retorna
Nasceu o mato verde do perdão
Onde estás, meu amor, amor tão querido
Onde estão as plumas do teu ninho
Garça triste, sem carinho, abandonada
O luar, nossa luz, fugiu de repente
Tenho em minhas mãos o pranto frio
Dos meus dois olhos vazios, sem amor
Composição: Haroldo Barbosa, D. S. Federico, H. A. Espósito