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Não Quero Saber

Francisco Alves

Esta vida é triste
Se ninguém resiste depois do jantar
Por qualquer coisinha que um'alma daninha
Venha nos contar

E por isso eu digo
Pra não ter perigo de me aborrecer
Da vida apertada não me digam nada
Não quero saber

Não quero saber, não quero saber
Pois se a vida é triste
Deixe-me viver

Não quero saber, não quero saber
Pois se a vida é triste
Deixe-me viver

Se meu senhorio faz um vozerio
Para o aluguel cobrar
E se, a prestações, quatro bofetões
Diz que vai me dar
E fazendo fita, o padeiro grita
Pão vou suspender
Da vida apertada não me digam nada
Não quero saber

Não quero saber, não quero saber
Pois se a vida é triste
Deixe-me viver

Não quero saber, não quero saber
Pois se a vida é triste
Deixe-me viver

Se o vendeiro [?] avança
Rouba na balança, no feijão também
E a criada esperta deixa a porta aberta
Para entrar seu bem

Se me engana a esposa
E o amante ousa em casa esconder
Que é que está zangada?
Eu não lhe dou nada
Não quero saber

Não quero saber, não quero saber
Pois se a vida é triste
Deixe-me viver

Não quero saber, não quero saber
Pois se a vida é triste
Deixe-me viver

Composição: José Barbosa da Silva (Sinhô)