Escuta, amor, a minha dor te vou contar
Eu, neste verso, o universo todo vou dizer
Maior que o mundo, mais profundo que o mar
É este amor, que o peito, oh flor, traz a sofrer
É só feliz quem não se diz saber amar
Saber, na dor, sorrir, fingir
Se és cruel, mas toda um desejo
Que a própria brisa, que desliza, dá-te um beijo
Por que emanas só encanto
Tu crês que, por te amar, pequei
E agora [?] o meu pranto
Pois, ouça, ingrata, só por ti chorei
Assim, no verso que componho
A tua imagem vou pintando
Depois, irei cantar, tristonho
A minha prece que, por ti, fiz soluçando
Até o espelho, que reflete, te repete
Que és formosa como a rosa, és a flor
E eu, o cravo, pobre escravo da paixão
Sinto em meu peito, já desfeito, um vulcão
Às vezes canto [?] ao [?], indeciso
O que sonhei, o que te amei
É o diadema desta canção suprema
Esta canção que fiz por ti e a ti cantei