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Raposa safada

Francisco Brancatti

Zorrita maula

Escuche aparcero: Jué en un mes de julio;
azotaba el viento por los pajonales,
y en la noche fría se quejaba juerte
al chocar furioso con los viejos sauces.
Ya, cuasi dormido sobre el catre e tientos,
un silbido largo vino a despertarme;
me hice el que roncaba, mientras mi chiruza
conoció las señas del gaucho traidor.

Se ganó la puerta del ranchito, a tientas;
despegó la tranca sin temor a nadie,
y al salir pa'juera la zorrita maula
se perdió en las sombras de los pajonales.
Me largué del catre, pero no hice a tiempo,
iban ya al galope, bajo los sauzales,
y ahí, nomás en pelo, sobre mi Azulejo,
de una taloneada los crucé a los dos.

"-¿Dónde va el tropero? Párese... -le dije-,
No se arrea ansina por estos lugares...
Largue esa potranca pa' contramarcarla,
que los de mi tropa, valen o no valen..."
Dispués, aparcero, jué breve la lucha;
un barbijo a ella le di por cobarde,
y el hombre vencido, cargando su presa,
con un gesto fiero, marcao se juyó.

Raposa safada

Escuta, parceiro: Foi em um mês de julho;
O vento batia forte pelos capins,
E na noite fria se queixava alto
Ao chocar furioso com os velhos salgueiros.
Já quase dormindo sobre a cama de cordas,
Um assobio longo veio me acordar;
Fingi que roncava, enquanto minha mina
Reconheceu os sinais do gaúcho traidor.

Ele ganhou a porta do rancho, tateando;
Destrancou a porta sem medo de ninguém,
E ao sair pra fora, a raposa safada
Se perdeu nas sombras dos capins.
Eu saí da cama, mas não fiz a tempo,
Já estavam a galope, sob os salgueiros,
E ali, só de calça, sobre meu Azulejo,
Com um taloneio, cruzei os dois.

"-Pra onde vai o tropeiro? Para! -eu disse-,
Não se arrea assim por esses lugares...
Solte essa potranca pra contramarcá-la,
Que os da minha tropa, valem ou não valem..."
Depois, parceiro, foi breve a luta;
Um tapa nela eu dei por covarde,
E o homem vencido, levando sua presa,
Com um gesto feroz, marcado se mandou.