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Já estamos iguais

Francisco García Jiménez

Ya estamos iguales

Mi noche es tu noche,
mi llanto tu llanto;
mi infierno tu infierno.
Nos tuerce en sus nudos
el mismo quebranto
profundo y eterno.
Es cierto que un día,
tu boca, la falsa,
de mí se reía;
pero hoy otra risa más cruel
y más fría
se ríe de ti.
Se ríe la vida,
que cobra a la larga
las malas andanzas;
que agranda la herida
que rompe y amarga,
que ahoga esperanzas,
que a ti, que buscabas
la dicha en alturas
que yo no alcanzaba,
así arrepentida de aquella
aventura te tira ante mí.

Mi noche es tu noche, mi llanto tu llanto.
Creíste que habías matado el pasado de un tajo feroz,
y no estaba muerto, y se alza en su tumba;
te está señalando, te nombra, te acusa con toda su voz.
Te roba la calma, te cubre de duelo,
te niega el olvido, te grita en tu horro;
belleza sin alma, estatua de hielo,
por treinta dineros vendiste al amor...

Ya estamos iguales.
Ya en ti roncos ecos
tendrán mis lamentos.
Te clavan el pecho
los siete puñales
del remordimiento,
y sé que quisieras
con estos despojos
de viejas quimeras
rehacer el romance
de las primaveras
que no vuelven más.
Inútil empeño;
si soy un vencido,
sin ansias ni sueños
y tú una grotesca
pasión trasnochada
de farsa burlesca.
Ya no hay más que sombras,
aguanta la pena,
soporta el quebranto
y lava con llanto
la culpa tremenda.
si sabes llorar.

Já estamos iguais

Minha noite é sua noite,
meu choro é seu choro;
meu inferno é seu inferno.
Nos torce em seus nós
o mesmo desgosto
profundo e eterno.
É certo que um dia,
sua boca, a falsa,
ria de mim;
mas hoje outra risada mais cruel
e mais fria
ri de você.
A vida ri,
que cobra a longo prazo
as más andanças;
que aumenta a ferida
que rompe e amarga,
que afoga esperanças,
que a você, que buscava
a felicidade nas alturas
que eu não alcançava,
assim arrependida daquela
aventura te joga diante de mim.

Minha noite é sua noite, meu choro é seu choro.
Você achou que tinha matado o passado de um golpe feroz,
e não estava morto, e se ergue em sua tumba;
te está apontando, te nomeia, te acusa com toda sua voz.
Te rouba a calma, te cobre de luto,
te nega o esquecimento, te grita na sua dor;
belleza sem alma, estátua de gelo,
por trinta dinheiros vendeu o amor...

Já estamos iguais.
Já em você ecos roucos
têm meus lamentos.
Te cravam no peito
os sete punhais
do remorso,
e sei que você gostaria
com esses despojos
de velhas quimeras
refazer o romance
das primaveras
que não voltam mais.
Esforço inútil;
se sou um vencido,
sansias nem sonhos
e você uma grotesca
paixão ultrapassada
de farsa burlesca.
Já não há mais que sombras,
aguenta a dor,
suporta o desgosto
e lava com choro
a culpa tremenda.
se você sabe chorar.