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Utopias

Frank Delgado

Utopías

Ella dice que me ama aunque no quiere que
yo sea el único hombre que duerma en su cama.
Y yo me trago el inmenso dolor
de no ser exclusivo en su alma.
Cuando yo tomo su mano en la calle
no me importa que hable de Bosnia o Timor Oriental
ni que sea terrorista
y se empeñe en hablarme en su lengua natal.

Ay, amor, amor, ya yo he aprendido
a no hacerme tu marido
y aunque ni pueda ser tu novio quiero tu amor a trois
y llévame por la izquierda en este temporal.
Ay, amor, amor, si no eres mía
al menos dame utopías,
pásame tus causas perdidas y como algo vital
sálvame de vez en cuando de mi soledad.

Aunque seas tan solidaria, tan sindicalista
yo te seguiré en tu activismo ancestral
a esas manifestaciones
y te ayudaré a empapelar la ciudad.
Aunque seas tan feminista y te gusten las chicas
nada va a impedirme que te pueda amar
y hasta prometo aprender de memoria
el libro de Simone de Beauvoir.

Utopias

Ela diz que me ama, mas não quer que
Eu seja o único homem a dormir na cama dela.
E eu engulo a dor imensa
De não ser exclusivo na alma dela.
Quando eu pego a mão dela na rua
Não me importa se ela fala de Bosnia ou Timor Leste
Nem que seja terrorista
E se empeñe em me falar na língua dela.

Ai, amor, amor, já aprendi
A não me fazer de marido
E mesmo que eu não possa ser seu namorado, quero seu amor a três
E me leve pela esquerda nesse temporal.
Ai, amor, amor, se não és minha
Pelo menos me dê utopias,
Passe suas causas perdidas e como algo vital
Me salve de vez em quando da minha solidão.

Embora você seja tão solidária, tão sindicalista
Eu vou te seguir no seu ativismo ancestral
Até essas manifestações
E vou te ajudar a colar cartazes pela cidade.
Embora você seja tão feminista e goste de garotas
Nada vai me impedir de te amar
E até prometo decorar
O livro de Simone de Beauvoir.

Composição: Frank Delgado