Canción pra escribir mañá
Dixeronme de neno cando era
namais que vento e fume dado ó vento.
Sen sempre un alma pura, un sentimento
de rosas e de estrelas, primaveira.
Unhos anos dispois ó sé-lo inferno
dun bosco escomenzando a abrirse á vida
dixeronme: Neno, a vida eche moi dura,
moi sofrida
despois da primaveira, ven o inverno.
Agora pola terra camiñando,
loitando coa vida, en contra da vida,
non ollo mais que pranto e xeada
Ninguén me dice nada.
Vou andando, silandeiro,
pola chaga compartida,
porqué non me dín nada...?
Canção pra escrever amanhã
Disseram pra mim quando eu era
só vento e fumaça levados pelo ar.
Com sempre uma alma pura, um sentimento
de rosas e estrelas, primavera.
Uns anos depois, ao ser o inferno
de um bosque começando a se abrir pra vida
disseram: Menino, a vida é muito dura,
muito sofrida
depois da primavera, vem o inverno.
Agora pela terra caminhando,
lutando com a vida, contra a vida,
não vejo mais que pranto e geada.
Ninguém me diz nada.
Vou andando, silencioso,
pela ferida compartilhada,
por que não me disseram nada...?