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Cantar de cego II

Fuxan Os Ventos

Cantar de cego II

A xeito de cego veño
a deci-lo que xa dixo
o Tio Marcos da Portela
polo primeiros de sigro.
As miserias que pasamos
os delores que sofrimos
a emigración que nos mata
e que nos tén consumidos.
Esta falta de xusticia
que nos ten aterecidos
andando co pico aberto
á esculca do grau de millo.
Os aldaxes que nos fan-he
na ciudade e no municipio
O pagar coma empresarios
para que outros se fagan ricos.
O leite que nos mal pagan
a venden a "trinaecinco"
e por riba a democracia
que hastra agora é un conto chino.
As contribucioes que botan
ó noso lombo os politicos
as xogadas dos alcaldes
que son xogadas de pícaro.
Se pedimos que Galicia
volva a te-lo seu esprito
póñenno-la autonomía
Os caciques son moi listos
Debemos toma-lo a groma
rirnos todos e mais rirnos
Veña un trago compañeiros
Se non hai pan... veña viño.
Pedir pan, vitela e porco
fora xa pedir de vicio
pedir xusticia, bobada,
pedir traballo, delirio.
Pedir proteución ó aire,
pedir cultura, un ripio, qué diaños hemos
qué diaños hemos pedire?
que nos rompan o bautismo?.
Que pediremos entonces?
Volvamos sobor do dito
que Dios confunda os caciques
raposas do municipio.
que se lles tollan as maus
que se lles eslombe o cernizo
que unha cadela de frades
lles esbure nos ouvidos
Que se lles sequen os ollos
que se lles pudra o figado
que se lles solte o bandullo
hastra enche-los calzoncillos.
E nós, mentras, pra vengarnos
das que nos fam, a cotío
xordos pra tódalas queixas
sempre berrando e sorrindo.
Pois pensan que somos parvos
pois coido que van fodidos!
Todos xuntos compañeiros,
anque chegue o sangue ó río!
Mentras eles adoecen
o se van co demo, a brincos,
un día faremos festa,
compañeiros... veña viño.

Cantar de cego II

A jeito de cego venho
pra dizer o que já disse
o Tio Marcos da Portela
nos primeiros do século.
As misérias que passamos
as dores que sofremos
a emigração que nos mata
e que nos tem consumidos.
Essa falta de justiça
que nos tem atormentados
andando com o pico aberto
à procura do grau de milho.
Os abusos que nos fazem
na cidade e no município
Pagar como empresários
pra que outros fiquem ricos.
O leite que nos pagam mal
vendem a "trinta e cinco"
e por cima a democracia
que até agora é um conto chinês.
As contribuições que jogam
nas nossas costas os políticos
as jogadas dos prefeitos
que são jogadas de picareta.
Se pedimos que a Galícia
volte a ter seu espírito
colocam na autonomia
Os caciques são muito espertos
Devemos tomar a groma
rir todos e mais rir
Vem um trago, companheiros
Se não tem pão... vem vinho.
Pedir pão, vitela e porco
fora já pedir de vício
pedir justiça, bobagem,
pedir trabalho, delírio.
Pedir proteção ao ar,
pedir cultura, um ripio, que diabos temos
que diabos temos que pedir?
que nos quebrem o batismo?.
O que pediremos então?
Voltemos sobre o dito
que Deus confunda os caciques
raposas do município.
que se lessem as mãos
que se lessem os intestinos
que uma cadela de frades
lhes grite nos ouvidos
Que se sequem os olhos
que se apodreça o fígado
que se solte a barriga
até encher os calcinhas.
E nós, enquanto isso, pra nos vingar
das que nos fam, a todo momento
surdos pra todas as queixas
sempre gritando e sorrindo.
Pois pensam que somos bobos
pois acho que vão se dar mal!
Todos juntos, companheiros,
mesmo que chegue o sangue ao rio!
Enquanto eles adoecem
ou vão com o demo, a pulos,
um dia faremos festa,
companheiros... vem vinho.

Composição: