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Longa Noite

Fuxan Os Ventos

Longa noite

Lobos no medio da noite
ceibaron un día o seu aular;
óuvense berros de medo
e o queixume da morte ó pasar.
Foron trizndo na noite
estrelas lucentes daquel alborear,
escuras canles de sangue,
e os corpos sen vida e as armas cantar.

FUXE, FUXE, FUXE QUE LOGO VIRAN
LOBOS, LOBOS, LOBOS QUE BAIXAN PRO VAL;
LISCA, LISCA, LISCA PRO OUTRO LADO DO MAR;
FUXE, FUXE, FUXE QUE ESTAN A CHEGAR!
Baixan os lobos na naoite:
non deixes que afoguen o noso cantar.

Feras de sangue sedentas,
cativas concencias do quedo luar
cubren a Patria de morte,
que queda sin norte, ai!, do seu cantar!
Logo o silencio mezquino...
non temos camiño, non vale chorara:
Han nace-los novos fillos,
que do vento frío o día farán!

VOLTA, VOLTA NOVAS GORXAS A CANTAR
BULE, BULE, BULE QUE O DIA VIRA;
LOITA, LOITA, LOITA COA NOITE ACABAR,
MIRA O DIA QUE VEN DO CABO DO MAR!
Saca ese cantar da noite
deixa que se escoite pra nunca acabar!

Anos pasaron, e aínda
os lobos da morte habitan no val;
andan con peles de ovellas,
en clás de cantores da vida e da paz.
Temos na memoria, vivos,
aqueles cautivos, aquela ruindá:
Naberá tempo que lave,
nin perdón que acale a nosa verdá!

FUXE, FUXE, FUXE QUE ESTÁN A CHEGAR
LOITA, LOITA, LOITA COA NOITE ACABAR;
LISCA, LISCA, LISCA PRO OUTRO LADO DO MAR,
BULE, BULE, BULE QUE O DIA VIRA!
Saca ses cantar da noite,
deixa que se escoite pra nunca acabar!

Longa Noite

Lobos no meio da noite
liberaram um dia seu lamento;
ouvem-se gritos de medo
e o lamento da morte ao passar.
Foram rasgando na noite
estrelas brilhantes daquele amanhecer,
canalizações escuras de sangue,
e os corpos sem vida e as armas a cantar.

FUJA, FUJA, FUJA QUE JÁ VÃO VIRAR
LOBOS, LOBOS, LOBOS QUE DESCEM PRO VALE;
CORRA, CORRA, CORRA PRO OUTRO LADO DO MAR;
FUJA, FUJA, FUJA QUE ESTÃO CHEGANDO!
Descem os lobos na noite:
não deixe que afoguem nosso cantar.

Feras de sangue sedentas,
cativas consciências do manso luar
cobrem a Pátria de morte,
que fica sem norte, ai!, do seu cantar!
Logo o silêncio mesquinho...
não temos caminho, não vale chorar:
Vão nascer os novos filhos,
que do vento frio o dia farão!

VOLTA, VOLTA NOVAS GORJAS A CANTAR
BULHA, BULHA, BULHA QUE O DIA VIRA;
LUTE, LUTE, LUTE PRA NOITE ACABAR,
OLHA O DIA QUE VEM DO CABO DO MAR!
Tire esse canto da noite
deixe que se escute pra nunca acabar!

Anos se passaram, e ainda
os lobos da morte habitam no vale;
andam com peles de ovelhas,
em clássicos cantores da vida e da paz.
Temos na memória, vivos,
aqueles cativos, aquela ruindade:
Não haverá tempo que lave,
nem perdão que cale nossa verdade!

FUJA, FUJA, FUJA QUE ESTÃO CHEGANDO
LUTE, LUTE, LUTE PRA NOITE ACABAR;
CORRA, CORRA, CORRA PRO OUTRO LADO DO MAR,
BULHA, BULHA, BULHA QUE O DIA VIRA!
Tire esse canto da noite,
deixe que se escute pra nunca acabar!

Composição: