O Carro
Non canta na chá ninguén
Por éso, meu carro canta
Canta o seu eixo tan ben
Que a señardade me espanta
Non hai canto tan fermoso
Fino coma un asubío
Anque é, as vegadas, saudoso
Faise no ar rechouchío
O meu carro é cerna dura
Sábese carballo e freixo
Qué fermosa e a sua feitura!
Qué lixereza a do eixo!
As cousas vanse aledando
Por onde meu carro pasa
Carrétame herba pro gando!
Traime a colleita pra casa!
O Carro
Ninguém canta na rua
Por isso, meu carro canta
Canta seu eixo tão bem
Que a beleza me espanta
Não há canto tão bonito
Fino como um assobio
Embora às vezes seja saudoso
Faz-se no ar um eco
Meu carro é de madeira dura
Feito de carvalho e freixo
Que beleza a sua forma!
Que leveza a do eixo!
As coisas vão se alegrando
Por onde meu carro passa
Leva grama pro gado!
Traz a colheita pra casa!