Vivemos na correria
Estamos sempre apressados
Pra lá e pra cá todo o dia
Todo mundo estressado
Às vezes até encontramos
Um conhecido do bairro
Dizemos um, oi, tudo bem?
Tchau, estou atrazado
Andamos pela cidade
No meio da multidão
Sempre muito calados
Cheios de solidão
O nosso tempo é contado
Não dá pra ficar parado
Há tanta coisa a fazer
Corremos pra todo lado
Mas Deus as vezes intervem
E nos dá uma colher de chá
Manda uma chuva ligeira
E nos obriga a parar
E mesmo contrariados
Buscamos injuriados
Onde nos abrigar
Até a chuva passar
E quando corremos zangados
Debaixo de uma marquize
Olhamos pra quem está ao lado
E como estamos parados
Sem nada para fazer
Começamos a dizer
Que tempo mais esquisito
Isso é hora de chover?
O tempo mudou de repente
Saí de casa com Sol
E vem essa chuvarada
Que só empata a gente
Meu carro está longe daqui
Eu não quero me molhar
Meu patrão que me desculpe
Só saio se a chuva parar
E a moça bonita ao lado
Fala agoniada
-O ponto do ônibus é longe
E essa chuva danada
Tenho consulta marcada
Taxi nem aparece
E já estou atrasada
Que dia, ninguém merece
E outro comenta também
O clima mudou, com certeza
É tudo culpa do homem
Que destrói a natureza
Esse pé d'água vai longe
Olha só a correnteza
Me empresta o telefone
Vou avisar a Teresa
E continuam a conversa
Falam dos compromissos
Mas já que perderam a hora
Contam aonde moram
Onde é seus serviços
Dos filhos que moram fora
Do surto de gripe da hora
Da inflação que assola
Falam da insegurança
Que assola o nosso país
Da pobreza que só cresce
Do dólar que sobe e desce
Daquele acidente infeliz
Do time do coração
E com esperança diz
Ah, vai ser campeão
Enquanto a chuva cai
A prosa fica até boa
Mas é só dar um estio
E todo mundo se vai
Cada um pro seu destino
Sem perceber o presente
De Deus juntando pessôas
Numa chuva irreverente