O campo sempre foi campo
Sem ter dono ou distinção
Porém os homens da guerra
Lhe impuseram demarcação
A terra sempre foi terra
Em todo o seu esplendor
Brotando do ventre dela
O gaúcho de valor
Pra ser guerreiro no pampa
Não precisa de clarim
Mas um galo madrugueiro
Que sempre cante primeiro
Quando a noite chega ao fim
Pra ser guerreiro no pampa
Não carece sangue e guerra
Quem reza em noite escura
Espera chuva e fartura
Com suor irrigando a terra
Pra ser guerreiro no pampa
Não carece de canhão
Mas sim de armas afiadas
Machado, cabo de enxada
Pra sustentar a nação
Pra ser guerreiro no pampa
Não precisa monumento
Mas pingos de pêlo e crina
Mostrando aos de cola fina
De onde vem o sustento
Pra ser guerreiro no pampa
Se dispensa espada e lança
Saraquá e terra lavrada
Lhe bastam nesta empleitada
Pra cultivar esperança
Pra ser guerreiro no pampa
Não habita mausoléu
Só um catre de pedra bruta
Pois a alma não se luta
De um pobre a tropear no céu
Pra ser guerreiro no pampa
O livro não lhe relata
É domador, carneador
Valente, trabalhador
Esta é a história exata