Eu venho de um mundo vazio
Em que o medo me enfurnou
A vertigem de beira de abismo
Me acompanhou
Sob efeito de um gozo tardio
Tento ver o que passou
Pode ser que beber meus conflitos
Me embriagou
Um delírio me perpassa
Vejo a estátua no andor
Ninguém guia a própria história
Sempre há sorte em toda glória
E a minha por agora chegou
Hoje um tanto distante do frio
Sinto o vento e seu frescor
Vejo chance em todos atritos
Não mais horror
E andando no mundo vadio
Como quem se encantou
Com as cores, os risos e o brilho
De um grande amor
Eu não paro mais em casa
Minha sola já secou
Sob o um pé—direito infinito
Fiz meu lar, o meu abrigo
E o medo de viver cessou