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Fogo e Flor

Glauco Fox

A grama verde no quintal
De longe, parece normal
Mas um braseiro tão banal
Consome tudo que é real

No vento vem lembrança e pó
Levando embora o que sobrou
No vento vem lembrança e pó
E o meu peito se calou

Mas entre a fumaça e o chão
Nasce outra flor devagar
Mas entre a fumaça e o chão
Tem raiz querendo ficar

A grama verde no quintal
De longe, parece normal
Mas um braseiro tão banal
Consome tudo que é real

Cinzas e grama, dor e luz
Do mesmo chão a vida reluz
Cinzas e grama, fogo e flor
Das cinzas renasce o amor

Do pó eu vim, no fogo eu vi
O que queimou não vai me definir
Céu cinza, peito aceso aqui
Mesmo no escuro eu aprendi a seguir
Pisam na grama, eu volto a brotar
Entre as ruínas, eu vou me plantar
Se a casa cai, eu sei reconstruir
Cada cinza é chão pra me erguer e seguir
Fogo passou, deixou cicatriz
Nenhuma ferida me faz infeliz
Porque da queda eu fiz meu lar
Cinzas e grama, eu vou levantar

Da cinza eu venho, sem medo de cair
Se tudo ardeu, eu ainda tô aqui
No peito a lembrança tenta me dividir
Mas a grama persiste em renascer, e ir
Se o vento levou o nome e o lugar
Do vazio eu faço um novo lar
Passo a passo, sem deixar de sentir
Sendo raiz, eu sei, vou resistir

No meio das cinzas vi florescer
Que parecia fim virou me refazer
Cinzas e grama, eu vou repetir
Do chão queimado eu me ergui

A grama verde no quintal
De longe, parece normal
Mas um braseiro tão banal
Consome tudo que é real

Composição: Glauco Fox