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Boa Noite, Irmão

Francesco De Gregori

Buonanotte Fratello

Ho visto torri alte e un Paradiso,
crescere sopra isole deserte,
dov'eri tu quando parlavo tanto,
ed ero solo come è una bestemmia.
Torre d'avorio e pena nella notte,
cristallizzata nella tua agonia.
Dov'eri tu vestito da scolaro,
quando dormivo senza avere sonno,
dov'eri tu col tuo sorriso onesto,
dov'eri tu col tuo vestito hippy
e il tuo ospedale per amori infranti,
chiusi dentro un cassetto insieme al vino,
dov'eri tu col tuo buonumore.
Tu mi stavi ammazzando,
tu mi stavi ammazzando con amore.
E io dormivo dove era più freddo,
dentro il mio pozzo ormai senza pudore,
con il mio cuore stranamente nuovo
e mi dicevo adesso si che sto crescendo,
invece era soltanto una stazione,
certezza necessaria e sufficiente,
utile tutt'al più per affogare,
per liberarsi di un vestito stretto
ed indossarne uno un pò più largo.
Dov'eri tu che mi dicevi sempre,
"Guarda che bello, come siamo pazzi".
Dov'eri tu quando restavo zitto
ed ero ingenuo come era una bestemmia,
dov'eri tu con la pace nel cuore.
Tu mi stavi ammazzando,
tu mi stavi ammazzando con amore.
E adesso guarda ho rotto il mio orologio
e ho costruito la mia stanza a specchi
e cullo il mio suicidio come un bimbo
che aspetta il giorno che verrà Natale
e non invidio la tua casa bianca,
dove resisterai fino a cent'anni,
per finire su un letto di granito,
con il conforto della tua coscienza,
la mani nette e il cuore di cristallo
e i cani abbaieranno a mezzavoce.
Io forse allora non sarò più niente,
solo una X nel ciclo dell'azoto,
se c'è un inferno mi potrà ascoltare.
Buonanotte fratello,
buonanotte fratello con amore.

Boa Noite, Irmão

Eu vi torres altas e um Paraíso,
crescendo sobre ilhas desertas,
donde você estava quando eu falava tanto,
e eu estava sozinho como se fosse uma blasfêmia.
Torre de marfim e dor na noite,
cristalizada na sua agonia.
Onde você estava vestido de estudante,
quando eu dormia sem ter sono,
donde você estava com seu sorriso sincero,
donde você estava com sua roupa hippie
e seu hospital para amores quebrados,
fechados dentro de uma gaveta junto com o vinho,
donde você estava com seu bom humor.
Você estava me matando,
você estava me matando com amor.
E eu dormia onde era mais frio,
dentro do meu poço já sem pudor,
com meu coração estranhamente novo
e eu dizia a mim mesmo agora sim que estou crescendo,
mas na verdade era só uma estação,
certeza necessária e suficiente,
útil no máximo para afogar,
para se livrar de uma roupa apertada
e vestir uma um pouco mais larga.
Onde você estava que sempre me dizia,
"Olha que lindo, como somos loucos".
Onde você estava quando eu ficava quieto
e eu era ingênuo como se fosse uma blasfêmia,
donde você estava com a paz no coração.
Você estava me matando,
você estava me matando com amor.
E agora olha, eu quebrei meu relógio
e construí meu quarto de espelhos
e embalo meu suicídio como uma criança
que espera o dia que vai ser Natal
e não invejo sua casa branca,
donde você vai resistir até os cem anos,
para acabar em uma cama de granito,
com o conforto da sua consciência,
as mãos limpas e o coração de cristal
e os cães vão latir em voz baixa.
Eu talvez então não serei mais nada,
apenas uma X no ciclo do nitrogênio,
se há um inferno, ele poderá me ouvir.
Boa noite, irmão,
boa noite, irmão com amor.

Composição: Francesco De Gregori