Eu sou, um grito que ecoa por justiça
Guerreira insubmissa em pé de guerra
Ao tal patriarcado, que privilegiado
Me fez refém na minha terra
Fez deles, pensamento, senhores da razão
A nós apagamento, no quarto, no porão
Silêncio que atravessa o oceano
Cultura da estrutura social
O chefe da família desumano
Que me nomeou escrava, nesse chão colonial
Clara como a força de não sucumbir
Catarina raça de não se entregar
Damiana luta, me fez resistir
Livre qual Benguela e de Dandara
Floresta de não se render
Floresce a feminista vocação
Democracia é escolher
Entenda que um não, é não
Lilás por atitude, a paz da solitude
Refém dessa estrutura que se arrasta
Basta, por todas que carregam as sequelas
Aceite, meu corpo, minhas regras
Eterna hipocrisia mãe gentil
Quem normalizou um tapa?
No país que mais se mata
O mal neoliberal da negação
Levanta preta, que o amor virou revolução
Por toda Maria, exijo respeito
Não quero favor, é nosso direito
Na liberdade de ser quem quiser
Empodera alvinegra esse Brasil mulher
Composição: Rafael Ferreira, Marcelinho Santos, Junior Falcão, Juca, Jonas Marques, Clebão, Valtinho Botafogo, Laura Roméro, Gilsinho da Vila, Soares do Cavaco, James Bernades, Dona Madalena, Geraldo Felicio