No pesqueiro na barranca do rio
Tão vazio que só lembranças trás
Estas águas num tranco vadio
E este frio que só agora faz
No olhar sem fim das planuras
Nas lonjuras revoltas das águas
A mulher que se foi por loucura
Linda e pura encharcada de mágoas
Nem dourados correm correntezas
E a incerteza da pesca e do pão
Pois agora somente asperezas
E tristezas no meu coração
E esta Lua de prata morena
Até dá pena de tão triste que é
Este vento que roça as melenas
E me condena á morrer nos aguapés
Como tempo maltrata esta vida
Que sofrida de tão fraca se esvai
Só recuerdo das noites perdidas
Tão antigas qual o rio que se vai
Nem dourados correm correntesas
E a incerteza da pésca e do pão
E agora somente asperezas
E tristezas no meu coração