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Canção da Noite N. 3

Guccini Francesco

Canzone Di Notte N. 3

Esistenza, che stai qui di contrabbando,
come un ladro sempre pronta per fuggire,
ogni età chiude in sé i crismi dello sbando, sbaglio e intuire,
coi suoi giochi di carambola e rimando, prendere e offrire,
ma si muoia solo un po' di quando in quando,
ma sia poco a poco che si va a morire...

Ogni giorno è un altro giorno regalato,
ogni notte è un buco nero da riempire,
ma per quanto non l' ho mai visto colmato, così per dire,
resta solo l' urlo solito gridato, tentare e agire,
ma si pianga solo un po' perchè è un peccato
e si rida poi sul come andrà a finire...

Lo capisco se mi prendi per le mele,
ma ci passo sopra, gioco e non mi arrendo,
ogni giorno riapro i vetri e alzo le vele, se posso prendo,
quando perdo non sto lì a mandar giù fiele e non mi svendo
e poi perdere ogni tanto ci ha il suo miele
e se dicono che vinco stan mentendo

perchè quelle poche volte che busso a bastoni,
mi rispondono con spade o con denari,
la ragione diamo e il vincere ai coglioni, oppure ai bari,
resteremo sempre a un punto dai campioni (tredici è pari),
ma si perda perchè siam tre volte buoni
e si vinca solo in sogni straordinari...

Ah, quei sogni, ah, quelle forze del destino
che chi conta spingerebbe a rinnegare,
ci hanno detto di non fare più casino, non disturbare:
canteremo solo in modo clandestino, senza vociare,
poi ghignando ce ne andremo pian pianino
per sederci lungo il fiume ad aspettare...

Quello che mi gira in testa questa notte
son tornato, incerta amica, a riferire,
noi immergenti, noi con fedi ed ossa rotte, lasciamo dire:
ne abbiam visti geni e maghi uscire a frotte per scomparire...
Noi, se si muore solo un po' chi se ne fotte,
ma sia molto tardi che si va a dormire...

Canção da Noite N. 3

Existência, que tá aqui de contrabando,
como um ladrão sempre pronta pra fugir,
cada idade guarda em si os sinais do desvio, erro e intuição,
com seus jogos de carambola e adiamento, pegar e oferecer,
mas que se morra só um pouco de vez em quando,
mas que seja pouco a pouco que se vai morrer...

Todo dia é mais um dia de presente,
toda noite é um buraco negro pra preencher,
mas por mais que nunca vi isso completo, só pra dizer,
fica só o grito habitual gritado, tentar e agir,
mas que se chore só um pouco porque é um pecado
e depois se ria do como vai acabar...

Eu entendo se você me acha um idiota,
mas eu deixo pra lá, jogo e não me rendo,
todo dia reabro as janelas e levanto as velas, se posso eu pego,
quando perco não fico ali engolindo fel e não me vendo
e perder de vez em quando tem seu mel
e se dizem que eu ganho, tão mentindo

porque aquelas poucas vezes que bato na porta,
me respondem com espadas ou com grana,
a razão damos e a vitória pros otários, ou pros trapaceiros,
sempre ficamos a um passo dos campeões (treze é par),
mas que se perca porque somos três vezes bons
e que se ganhe só em sonhos extraordinários...

Ah, aqueles sonhos, ah, aquelas forças do destino
que quem conta faria de tudo pra renegar,
nos disseram pra não fazer mais barulho, não atrapalhar:
cantaremos só de forma clandestina, sem alarde,
depois rindo vamos embora devagarinho
pra nos sentar à beira do rio esperando...

O que tá rodando na minha cabeça essa noite
voltei, amiga incerta, pra relatar,
nós, imersos, nós com fé e ossos quebrados, deixamos falar:
vimos gênios e magos saírem em bandos pra desaparecer...
Nós, se morremos só um pouco, quem se importa,
mas que seja bem tarde quando for dormir...

Composição: