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Farei um verso, pois me dá vontade

Guillaume IX d'Aquitaine

Farai un vers pos mi sonelh

Farai un vers, pos mi sonelh
E, m vauc e m'estauc al solelh
Domnas i a de mal conselh
E sai dir cals
Cellas c'amor de cavalier
Tornon a mals

Domna fai gran pechat mortal
Qe no ama cavalier leal
Mas si es monge o clergal
Non a raizo
Per dreg la deuri'hom cremar
Ab un tezo

En Alvernhe, part Lemozi
M'en aniey totz sols a tapi
Trobei la moller d'en Guari
E d'en Bernart
Saluderon mi simplamentz
Per sant Launart

La una, m diz en son latin
E Dieus vos salf, don pelerin
Mout mi semblatz de belh aizin
Mon escient
Mas trop vezem anar pel mon
De folla gent

Ar auzires qu'ai respondut
Anc no li diz ni bat ni but
Ni fer ni fust no ai mentaugut
Mas sol aitan
Babariol, babariol
Babarian

So diz n'Agnes a n'Ermessen
Trobat avem que anam queren
Sor, per amor Deu, l'alberguem
Qe ben es mutz
E ja per lui nostre conselh
Non er saubutz

La una, m pres sotz son mantel
E mes m'en sa cambra, al fornel
Sapchatz qu'a mi fo bon e bel
E, l focs fo bos
Et eu calfei me volontiers
Als gros carbos

A manjar mi deron capos
E sapchatz agui mais de dos
E no, i ac cog ni cogastros
Mas sol nos tres
E, l pans fo blancs e, l vin fo bos
E, l pebr' espes

Sor, aquest hom es enginhos
E laissa lo parlar per nos
Non aportem nostre gat ros
De mantenent
Qe, l fara parlar az estros
Si de re, nz ment

N'Agnes anet per l'enujos
E fo granz et ac loncz guinhos
E eu, can lo vi entre nos
Aig n'espavent
Q'a pauc non perdei la valor
E l'ardiment

Qant aguem begut e manjat
Eu mi despoillei a lor grat
Detras m'aporteron lo gat
Mal e felon
La una, l tira del costat
Tro al tallon

Per la coa de mantenen
Tira, l gat et el escoissen
Plajas mi feron mais de cen
Aquella ves
Mas eu no, m mogra ges enguers
Qui m'ausizes

Sor: Diz n'Agnes a n'Ermessen
Mutz es, qe ben es conoissen
Sor, del banh nos apareillem
E del sojorn
Ueit jorns ez encar mais estei
En aquel forn

Tant les fotei com auzirets
Cen e quatre vint et ueit vetz
Q'a pauc no, i rompei mos coretz
E mos arnes
E no, us puesc dir lo malaveg
Tan gran m'en pres

Ges no, us sai dir lo malaveg
Tan gran m'en pres

Farei um verso, pois me dá vontade

Farei um verso, pois me dá vontade
E vou e me deito ao Sol
Há damas de mau conselho
E sei dizer quais
Aquelas que o amor de cavaleiro
Transformam em mal

A dama comete grande pecado mortal
Que não ama um cavaleiro leal
Mas se ele é monge ou clérigo
Ela não tem razão
Por direito deveriam queimá-la
Com um tição (tocha)

Na Auvérnia, perto do Lemosim
Eu andava sozinho, às escondidas
Encontrei a mulher do senhor Guari
E a do senhor Bernart
Elas me saudaram simplesmente
Por São Leonardo

Uma me disse em seu latim
Que Deus vos salve, senhor peregrino
Muito me pareceis de bela aparência
Ao meu juízo
Mas vemos andar pelo mundo
Muita gente louca

Agora ouvireis o que respondi
Não lhe disse nem sim nem não
Não mencionei ferro nem pau
Mas apenas isto
Babariol, babariol
Babarian

Disse dona Inês a dona Ermessenda
Encontramos o que andávamos procurando
Irmã, pelo amor de Deus, hospedemo-lo
Pois ele é bem mudo
E por ele nosso plano
Não será sabido

Uma me tomou sob seu manto
E me pôs em seu quarto, junto ao fogão
Saibais que para mim foi bom e belo
E o fogo era bom
E eu me aqueci de bom grado
Nas brasas grossas

Para comer me deram capões
E saibais que tive mais de dois
E não havia cozinheiro nem ajudante
Mas apenas nós três
E o pão era branco e o vinho era bom
E a pimenta espessa

Irmã, este homem é astuto
E deixa-nos falar por ele
Não, tragam nosso gato ruivo
Imediatamente
Que o fará falar à força
Se ele mentir em algo

Inês foi buscar o malvado
Era grande e tinha longas garras
E eu, quando o vi entre nós
Tive grande medo
Que por pouco não perdi a coragem
E o ânimo

Quando bebemos e comemos
Eu me despi ao gosto delas
Por trás trouxeram-me o gato
Mau e cruel
Uma o puxava pelo lado
Até o calcanhar

Logo pela cauda
Puxam o gato e ele arranha
Fizeram-me mais de cem feridas
Aquela vez
Mas eu não me movi nem um pouco
Quem quer que me ouvisse

Irmã, disse Inês a Ermessenda
Ele é mudo, isso é evidente
Irmã, preparemo-nos para o banho
E para o repouso
Oito dias e ainda mais permaneci
Naquele forno

Tanto as fodi quanto ouvireis
Cento e oitenta e oito vezes
Que por pouco não rompi minhas correias
E meu arreio
E não vos posso dizer o cansaço
Tão grande foi o que me tomou

De fato não sei dizer o mal-estar
Tão grande foi o que me tomou

Composição: Guillaume Ix D'Aquitaine