Tu que cruzastes estradas
E fronteiras não marcadas
Escrevendo tua história
Com tuas rodas de madeira
Chorando tuas cantadeiras
Nos teus tempos de glória
Comércio por excelência
Do continente a Ascendência
De um Rio Grande que nascia
Levou cargas dos mascates
Tecidos, Charque, erva mate
Dentre outras mercadorias
Teve nas revoluções
Com cargas de munições
Teu papel foi exercido
As vezes por circunstância
Servistes de ambulância
Pra algum guerreiro ferido
Participou dos rituais
Em campeiros funerais
Deste pago de outrora
Com os cocões engraxados
Pra um silêncio desejado
Na tristeza desta hora
Hay quem guarde e te respeite
Te usando como enfeite
Na frente de alguma estância
Como peça de museu
Pra quem não te conheceu
Saber da tua importância
Ah! Velha carreta de boi
O teu tempo já se foi
Com o atropelo moderno
Hoje, não mais estradeia
Só aranhas trançam teias
No que restou do teu cerno