395px

Piauí

Hagadê

Minha mente é afiada, pique peixeira de vaqueiro
Eles querem meu lugar, mas eu cheguei aqui primeiro
Sou forte que nem Lampião, blindado no meu sertão
Minha caneta é espingarda, cada rima é um trovão
Tentaram secar minha fonte, mas eu sou açude cheio
Eles correm da batalha, eu bato de frente, eu não freio
Ouro no pescoço pesa, mas não mais que a minha raiz
Sou cacto sobrevivente, florindo onde ninguém quis

Avisa lá que o cabra da peste chegou
Tô resistente igual mandacaru no calor
Cajuína no copo, a poeira no ar
O nordestino nasceu foi pra dominar
Eles testa minha fé, mas a base é aroeira
Respeita a minha terra, respeita a minha bandeira

Isso é Piauí

Deus é a minha testemunha da poeira que eu engoli
Transformei a sede em rima pra poder sair daqui
Minha garganta era um deserto, o verso foi bebedouro
Onde a saliva que seca eu transformo em barra de ouro
Sem padrinho, sem atalho, foi no soco e na coragem
Minha caneta tira leite de pedra na estiagem
Eu mastiguei a batida, engoli a rejeição
Fazendo o milagre vivo brotar na palma da mão

Eu pego o "não" do sistema e faço dele uma escada
A minha mente é blindada, a minha língua é afiada

Praga não pega na pele do cabra, a palavra pesada palpita e não para
Tritura a tristeza, trancando a trincheira, a tropa não treme, trator não dispara
Corta a caatinga, a coragem carrega, o cabra que cobra o corte não cega
Bate a zabumba, rebumba no bumbo, zumbido que zomba da zanga que prega
O Piauí não recua, o sangue ferve na veia, a mente não silencia
Respeita a peleja, a fome da fera, que a lida do mato é a nossa magia

Forte igual Maria Bonita
Com a visão lá na frente
A seca não me intimida
Porque a semente é valente

Avisa lá que o cabra da peste chegou
Tô resistente igual mandacaru no calor

Cajuína no copo, a poeira no ar
O nordestino nasceu foi pra dominar

Eles testa minha fé, mas a base é aroeira
Respeita a minha terra, respeita a minha bandeira

Isso é Piauí
Pode testar

Composição: Huemerson Alves Duarte