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Bordeo

Herman Medrano

Bordeo

I meio dei meio pa tirare su el degheio
chi xe che va par aria? Chi che no resta sveio
semo quei sensa rocheo, bordeo
fasemo el masseo, massa beo

venare, voio proprio vedare
naltra setimana che va in mona, da no credare
ara che ben, fin che no so pien no tiro el fren
co xe na serta ora nemo via co quei che vien
so come e quanto, a baeton
so dove e quando, in ogni situasion
sempre fora co xe ora de magnare e de tosate
sito co nialtri, ben, se no te poi brusate
anca desfa', impaca come un bacaea'
col stomego invirigoea', te me trovi sempre qua
pa faghe comatre a quei pi inseminii
mi stago coi mii, semo quei pi scaturii
e ogni fine setimana naltra scavesada
che pa tornare casa me desmentego anca ea strada
semo musi da can che no parla mai pian
gheto na giossa de sarveo, tea sughemo col pan

xe pi forte de mi, go cualcossa che me rosega
bon fin che te voi, ma no so miga na munega
cussi', se cato queo un poco pi tanduo
eo togo pal cueo, fin che no so passuo
poenta e ossi al baracon, davanti un butilion de grinton
cossa? Tegno de ocio ea situasion
ma dei altri go rispeto, no vago miga sustegare
uno che voe stare chieto, so mia mato!
Rivo, guaivo, no faso el mona e no sigo
go el me modo de fate capire che so vivo
medrano, co i altri storti, parecia i goti
simioti, fati come pomi coti
te se cossa che ne piase, magnare, bevare
'ndare a tose, cantare e perdare anca vose
ridare pa copasse, me ssciopa e ganasse
n'dare casa ridotti a un mucetto de scoasse

oramai xe tardi e gambe me fa jacomo
co se trata de 'ndar via mi so sempre e ultimo
sensa, pensieri in testa, co ea facia persa
uno aea volta i oci se roversa
i me dise sta al to posto, ma quaeo xeo el me posto
se no stago a posto desso pensa ti co so un fia' rosto
chissa' cossa che ghe speta doman quando che i se sveia
chi i me rompe e i me siga: "fate na fameia"
ma i tira fora storie che sa da ranso
pol dir de tuto anca el pi marso, no me ne frega un casso
pero' no paro basso chi fa finta de pomi
specie co te ghe bisogno, meio i amighi quei boni
dopo oto ore de lavoro caro mio
se no te ghe capio mi no torno indrio
voio faghene, passamea, fin che no i me sepeisse
fasso striche, (striche) co chi che me capisse

no se sa mai cossa che nasse
e bastaria trovasse coe gambe soto ea stesa toea pa riussire capisse
semo buseta e boton anca col pi cojon
ma dee volte saia meio el buso del tacon

Bordeo

Eu meio dei meio pra levantar o degrau
Quem é que vai pro ar? Quem não fica acordado?
Somos aqueles sem rochedo, bordeo
Fazemos o barulho, muita beleza

Vem cá, eu quero mesmo ver
Na próxima semana que vai pra longe, não dá pra acreditar
Agora que tá bom, enquanto não tô cheio não puxo o freio
Quando é uma certa hora, não vou com quem vem
Sei como e quanto, a batida
Sei onde e quando, em toda situação
Sempre fora, quando é hora de comer e de se divertir
Sito com a galera, bem, se não pode se queimar
Até desfaz, empaca como um bicho
Com o estômago embrulhado, você sempre me encontra aqui
Pra fazer par com aqueles que mais se divertem
Eu fico com os meus, somos os que mais se destacam
E todo final de semana, outra bagunça
Que pra voltar pra casa eu até esqueço o caminho
Somos uns cachorros que nunca falam baixo
Tem uma gota de cerveja, a gente se embriaga com pão

É mais forte que eu, tenho algo que me corrói
Bom até onde você quer, mas não sou uma marionete
Assim, se caio um pouco mais tarde
Eu toco o seu, até que não sou passado
Polenta e ossos no bar, na frente de um botijão de grito
O que? Tô de olho na situação
Mas dos outros eu tenho respeito, não vou sustentar
Um que quer ficar quieto, não sou maluco!
Riso, grito, não faço o palhaço e não sigo
Tenho meu jeito de fazer entender que tô vivo
Medrano, com os outros tortos, parecia os góticos
Sim, feitos como maçãs cozidas
Você sabe o que a gente gosta, comer, beber
Ir pra festa, cantar e até perder a voz
Rir pra se divertir, me estoura e ganha
Voltar pra casa reduzido a um monte de trapos

Agora já é tarde e minhas pernas tão me matando
Quando se trata de ir embora, eu sou sempre o último
Sem, pensamentos na cabeça, com a cara perdida
Um a um os olhos se reviram
Me dizem pra ficar no meu lugar, mas esse aqui é meu lugar
Se não tô no meu lugar, pensa você com sua cara de bobo
Quem sabe o que espera amanhã quando eles acordam
Quem me quebra e me segue: "façam uma família"
Mas eles tiram histórias que sabem de ranso
Podem dizer de tudo, até o mais maroto, não tô nem aí
Mas não paro baixo quem finge ser bobo
Especialmente com você que precisa, melhor os amigos bons
Depois de oito horas de trabalho, meu caro
Se não entender, eu não volto atrás
Quero fazer, passar a mão, até que não me peguem
Faço estripulia, (estripulia) com quem me entende

Nunca se sabe o que vai nascer
E bastaria encontrar com as pernas embaixo da mesa pra conseguir entender
Somos bagunça e botão, até com o mais idiota
Mas de vez em quando é melhor o buraco do salto.

Composição: