Istà
vivo pa ste robe cua', fin che te poi
fora coi fioi, fin che no te croi
me piase l'ista' e ch'el senso de liberta'
che me da na machina descapota'
cuindes'ani do dea matina e face agre
tuti suai, ncora dentro e gabie ae sagre
trent'ani e no se cambia' cuasi gnente
stessi posti stesse robe e ancora ea' stessa xente
infradito, go in deo in carne viva
braga curta, capeo e camizeta sportiva
vago a bisatei che no xe gnancora sera,
magna dai musati ciapo soeo che rumatera
ae sie' al bareto se catemo pal sprisseto
1-2-3 finche' no so un bacheto
bevo naltro rujo, sensa dubio
vedo i lupi come a gubio e ciapo drite e curve a gumio
medrano cicona, 4/4 so ea' meona
me piase ea' mona scrito so ogni cromosona
stemo soto el soe tuto el di in pissina
bire sora el cofano fin e tre dea matina
1,2,3, scaoe e marce del caifo,
controman parche' devo, schivo l'unico serifo
xe un caldo che fa schifo, ma no me agno, no
meio che in inverno e 'ndare in giro col palto'
tracuiita' soto na ombra de na cavana
no na soeana in coa so ea' jesoeana
ma se podaria in alternativa a ste strade,
'ndare macasse i ossi sui sassi sul piave
dapartuto come i acari co naltri cuatro cancari
salvadeghi, in giro pai bacari
no acuagim, gnente acua - soeo gin
che no te si pi bon capire dove che ti si
casa a schiera - muiere e chi lavora
da un ano speta e ferie e va via a sento a eora
ma - ma - ma cavoi, ea' vita piena de bagoi
milioni de ostacoi, xe inutie fare calcoi
cassade tuto l'ano, e pi che altro d'ista'
girate, voltate, meti el pie de ea'
ma sta machina xe cea so xa' tuto sua'
come ti me piase massa far chee robe ea'
fin che no me inpegoeo senpre pi rabegoeo
me sfregoeo, fin che no me destegoeo
come se fusse picoeo, senpre pi ridicoeo
fasso un fia' de tuto e no vedo mai pericoeo
tegno duro, passame chea stropa che carburo
sturo, fin che no me scuaio come el buro
se femo naltro giro mi ghe stago de sicuro
no xe gnancora sera e no xe gnancora scuro.
Aqui
vivo pra esse rolê, até você ir
fora com os filhos, até você não acreditar
me encanta aqui e o sentido de liberdade
que me dá um carro conversível
quando é de manhã e o clima tá pesado
tudo seu, ainda dentro e gritando na cara
treinta anos e quase nada muda
mesmos lugares, mesmas coisas e ainda a mesma galera
chinelo, vou de boa na carne viva
bermuda curta, camiseta e camisa esportiva
vou pra balada que ainda não é noite,
mando ver nos músculos, pego a vibe que é pura
na esquina do bar, a gente se encontra no estalo
1-2-3 até eu não sei mais o que é
bebo mais um tinto, sem dúvida
vejo os lobos como em Gubbio e pego reto e torto na curva
medrano cicona, 4/4 é a minha onda
me encanta a mina escrita em cada cromosoma
ficamos sob o sol o dia todo na piscina
bebo em cima do capô até às três da manhã
1,2,3, escapo e marcho do caos,
me controlo porque eu sou o único que se cuida
tá um calor que tá insuportável, mas não me abalo, não
meio que no inverno e sair por aí com o casaco
tranquilo sob a sombra de uma cabana
não na sujeira em volta da jesuína
mas se pudesse, em alternativa a essas ruas,
andar de boa com os ossos nas pedras do Piave
por toda parte como os ácaros com os outros quatro cancros
salvadeghi, rodando pros bacanas
não aguenta, nada de água - só gin
que não dá pra entender onde você tá
casa em condomínio - mulher e quem trabalha
há um ano espera as férias e vai embora a qualquer hora
mas - mas - mas, cara, a vida cheia de perrengues
milhões de obstáculos, é inútil fazer cálculos
cansado o ano todo, e mais do que tudo aqui
gire, vire, coloque o pé na estrada
mas esse carro é só seu, é tudo seu
como eu gosto muito de fazer essas coisas aqui
até que eu não me empolgue sempre pra me irritar
me arranho, até que eu não me acorde
como se fosse piada, sempre pra rir
faço um fia' de tudo e nunca vejo perigo
me mantenho firme, passa essa parada que é brava
só saio, até que eu não me queime como o burro
se fizermos mais uma volta, eu tô de boa
não é ainda noite e não tá ainda escuro.