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O Condenado à Morte

Hervé Vilard

Le Condamné À Mort

Sur mon cou sans armure et sans haine, mon cou
Que ma main plus légère et grave qu'une veuve
Effleure sous mon col, sans que ton cњur s'émeuve,
Laisse tes dents poser leur sourire de loup.

Ô viens mon beau soleil, ô viens ma nuit d'Espagne
Arrive dans mes yeux qui seront morts demain.
Arrive, ouvre ma porte, apporte-moi ta main
Mène-moi loin d'ici battre notre campagne.

Le ciel peut s'éveiller, les étoiles fleurir,
Ni les fleurs soupirer, et des près l'herbe noire
Accueillir la rosée où le matin va boire,
Le clocher peut sonner: moi seul je vais mourir.

Ô viens mon ciel de rose, ô ma corbeille blonde!
Visite dans sa nuit ton condamné à mort.
Arrache-toi la chair, tue, escalade, mords,
Mais viens! Pose ta joue contre ma tête ronde.

Nous n'avions pas fini de nous parler d'amour,
Nous n'avions pas fini de fumer nos gitanes,
On peut se demander pourquoi les Cours condamnent
Un assassin si beau qu'il fait pâlir le jour.

Amour viens sur ma bouche! Amour ouvre tes portes!
Traverse les couloirs, descends, marche léger,
Vole dans l'escalier plus souple qu'un berger,
Plus soutenu par l'air qu'un vol de feuilles mortes.

Ô traverse les murs, s'il le faut marche au bord
Des toits, des océans, couvre-toi de lumière,
Use de la menace, use de la prière,
Mais viens, ô ma frégate, une heure avant ma mort.

O Condenado à Morte

No meu pescoço, sem armadura e sem ódio, meu pescoço
Que minha mão, mais leve e grave que uma viúva
Toque sob meu colarinho, sem que teu coração se mova,
Deixa teus dentes pousarem seu sorriso de lobo.

Ô vem, meu lindo sol, ô vem, minha noite espanhola
Chega nos meus olhos que estarão mortos amanhã.
Chega, abre minha porta, traz-me tua mão
Leva-me longe daqui, vamos juntos à nossa campanha.

O céu pode acordar, as estrelas florescer,
Nem as flores suspirar, e dos campos a grama escura
Receber o orvalho onde a manhã vai beber,
O sino pode tocar: eu só vou morrer.

Ô vem, meu céu cor-de-rosa, ô minha cesta loira!
Visite na sua noite seu condenado à morte.
Arranca-te a carne, mata, escala, morde,
Mas vem! Põe tua bochecha contra minha cabeça redonda.

Não tínhamos acabado de falar de amor,
Não tínhamos acabado de fumar nossas gitanas,
Podemos nos perguntar por que os tribunais condenam
Um assassino tão belo que faz o dia empalidecer.

Amor, vem sobre minha boca! Amor, abre suas portas!
Atravessa os corredores, desce, anda leve,
Voa pela escada mais suave que um pastor,
Mais sustentado pelo ar que um voo de folhas secas.

Ô atravessa as paredes, se for preciso, anda à beira
Dos telhados, dos oceanos, cobre-te de luz,
Usa da ameaça, usa da oração,
Mas vem, ô minha fragata, uma hora antes da minha morte.

Composição: Jean Genet