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Meu Cantar

Homero Expósito

Mi cantar

Mi cantar
es un canto de esperanza,
flor de yuyo, rabia mansa,
soledad.

Mi cantar
lo robé de las estrellas
en la horas de tristeza
que tu adiós me dejó.
Callejón
de caricias y sonidos
que, llegando del olvido
dan motivo a mi canción.
Mi cantar
es un canto de esperanza,
es un grito de dolor.

Un ayer de perfumes
y de flor,
y un adiós sin motivo,
y el rencor de esperar
y de esperar
escribió con olvido.

Mi cantar
gracia plena del fracaso,
con mi angustia, con tu acaso,
con tu adiós.
Mi cantar
cofre azul de lo imposible,
noche siempre, noche horrible,
noche así, como yo.

Corazón,
tú que sabes de la angustia
de mi voz cansada y mustia,
no pretendas despertar.
Mi cantar
es la gracia del fracaso,
es el no saber llorar.

Meu Cantar

Meu cantar
é um canto de esperança,
flores de mato, raiva mansa,
solidão.

Meu cantar
roubei das estrelas
nas horas de tristeza
que sua despedida me deixou.
Beco
de carícias e sons
que, vindo do esquecimento
dão motivo à minha canção.
Meu cantar
é um canto de esperança,
é um grito de dor.

Um ontem de perfumes
e de flores,
e um adeus sem motivo,
e o rancor de esperar
e de esperar
escreveu com esquecimento.

Meu cantar
graça plena do fracasso,
com minha angústia, com seu acaso,
com seu adeus.
Meu cantar
cofre azul do impossível,
noite eterna, noite horrível,
noite assim, como eu.

Coração,
você que sabe da angústia
da minha voz cansada e murcha,
não tente despertar.
Meu cantar
é a graça do fracasso,
é o não saber chorar.

Composição: Héctor Stamponi / Homero Expósito