Abandono
Llega el viento del recuerdo aquel
al rincón de mi abandono
y entre el polvo muerto del ayer
también volvió tu querer.
Yo no sé si vivirás feliz
o si el mundo te ha vencido
viviendo sin querer vivir
buscás la paz de morir.
Duda de tu ausencia y de mi culpa
pena de tener que recordar
sueño del pasado que me acusa
manos que no quieren perdonar,
dolor amigo de estar con tu sombra
remordimiento de saberte buena
dolor lejano de oír que te nombran
las voces muertas que se obstinan en volver.
Ya no sueño que retornarás
al fracaso de mi vida
ni tampoco que en tu palpitar
tendré un afán para andar.
Sólo quiero que si estás también
en la cruz del abandono
sepas olvidarme en su perdón...
Total, mirá lo que soy.
Pena de tu ausencia sin retorno
pena de saber que no vendrás,
pena de escuchar en mi abandono
voces que me acusan al llegar.
Dolor amigo de estar con tu sombra
remordimiento de saberte buena
dolor lejano de oír que te nombran
las voces muertas del ayer feliz.
Abandono
Chega o vento da lembrança
no canto do meu abandono
E entre a poeira morta do ontem
também voltou seu querer.
Não sei se você vai viver feliz
ou se o mundo te venceu
vivendo sem querer viver
buscando a paz de morrer.
Dúvida da sua ausência e da minha culpa
pena de ter que lembrar
do sonho do passado que me acusa
mãos que não querem perdoar,
dor, amigo de estar com sua sombra
remorso de saber que você é boa
dor distante de ouvir que te chamam
as vozes mortas que insistem em voltar.
Já não sonho que você vai voltar
para o fracasso da minha vida
e nem que no seu pulsar
eu terei um desejo para andar.
Só quero que se você também
na cruz do abandono
ainda saiba me esquecer no seu perdão...
No fim, olha o que eu sou.
Pena da sua ausência sem retorno
pena de saber que você não virá,
pena de ouvir no meu abandono
vozes que me acusam ao chegar.
Dor, amigo de estar com sua sombra
remorso de saber que você é boa
dor distante de ouvir que te chamam
as vozes mortas do ontem feliz.