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Romance de Bairro

Homero Manzi

Romance de Barrio

Primero la cita lejana de abril
Tu oscuro balcón, tu antiguo jardín
Más tarde las cartas de pulso febril
Mintiendo que no, jurando que sí

Romance de barrio tu amor y mi amor
Primero un querer, después un dolor
Por culpas que nunca tuvimos
Por culpas que debimos sufrir los dos

Hoy vivirás
Despreciándome, tal vez sin soñar
Que lamento al no poderte tener
El dolor de no saber olvidar
Hoy estarás
Como nunca lejos mío
Lejos de tanto llorar
Fue porque sí
Que el despecho te cegó como a mí
Sin pensar que en el rencor del adiós
Castigabas con crueldad tu corazón
Fue porque sí
Que de pronto no supimos pensar
Que es más fácil renegar y partir
Que vivir sin olvidar

Ceniza del tiempo la cita de abril
Tu oscuro balcón, tu antiguo jardín
Las cartas trazadas con mano febril
Mintiendo que no, jurando que sí
Retornan vencidas tu voz y mi voz
Trayendo al volver con tonos de horror
Las culpas que nunca tuvimos
Las culpas que debimos pagar los dos

Romance de Bairro

Primeiro a data distante de abril
Teu escuro balcão, teu antigo jardim
Mais tarde as cartas de pulso febril
Mentindo que não, jurando que sim

Romance de bairro, teu amor e meu amor
Primeiro um querer, depois uma dor
Por culpas que nunca tivemos
Por culpas que devíamos sofrer os dois

Hoje você vai viver
Me desprezando, talvez sem sonhar
Que eu lamento não poder te ter
A dor de não saber esquecer
Hoje você estará
Como nunca, longe de mim
Longe de tanto chorar
Foi porque sim
Que o despeito te cegou como a mim
Sem pensar que no rancor do adeus
Castigava com crueldade teu coração
Foi porque sim
Que de repente não soubemos pensar
Que é mais fácil renegar e partir
Do que viver sem esquecer

Cinzas do tempo, a data de abril
Teu escuro balcão, teu antigo jardim
As cartas escritas com mão febril
Mentindo que não, jurando que sim
Retornam vencidas tua voz e minha voz
Trazendo ao voltar com tons de horror
As culpas que nunca tivemos
As culpas que devíamos pagar os dois

Composição: Aníbal Troilo / Homero Manzi