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Pajarito

Homero Manzi

Pajarito

Vivías en un barrio pintado por la luna,
llevabas en tus oujos cansancio de llorar.
Te vi, me pareciste más triste que ninguna,
tan pobre como el barrio, tan buena como el pan.

Los muros de tus calles nos vieron de la mano,
las noches del otoño supieron nuestro amor.
Amor sin juramentos, amor de sueños vanos;
piedad por tu pobreza, piedad por tu dolor.

El invierno llegó y no volviste
a la esquina lejana de siempre.
Te esperé, te esperé inútilmente
y allí mismo tal vez te olvidé.

No guardé ni el rencor de tu ausencia,
no aprendí ni siquiera tu nombre,
y me fui de la esquina esa noche
sin saber si algún día te amé.

Tal vez tus ojos grandes se helaron en silencio.
Tal vez tuviste miedo de amarme, no lo sé.
Después busqué tu jaula de pajarito enfermo,
después volví a tus calles y nunca te encontré.

Hoy llegas del olvido con tu cabeza rubia;
la noche está en silencio, te evoco sin querer.
Me asomo a la ventana y envuelto por la lluvia
para quedar tranquilo, me miento que te amé.

Pajarito

Você viveu em um bairro pintado pela lua,
usou em sua fadiga oujos lamentar.
Eu te vi, pareceu-me mais triste do que qualquer,
pobre como o bairro, tão boa como o pão.

As paredes das ruas que viu a mão,
Outono noite conhecia o nosso amor.
Amor sem juramentos, o amor de sonhos vãos;
pena em sua pobreza piedade, para a sua dor.

O inverno chegou e não voltou
para o canto, como de costume.
Esperei, esperei em vão
e aí você pode esquecer.

Eu não guardar rancor nem de sua ausência,
nem sequer aprendeu seu nome,
e foi para o canto, naquela noite
não saber se você já amou.

Talvez os seus grandes olhos congelaram em silêncio.
Talvez você estava com medo de me amar, não sei.
Depois de sua gaiola parecia doente,
em seguida, retornou às suas ruas e nunca encontrei.

Hoje você começa a partir do esquecimento com a cabeça loira;
a noite é silenciosa, não querendo lembrar de você.
Eu olho pela janela e rodeado pela chuva
para ficar quieto, eu menti que eu amava.

Composição: