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Gomina

Ignacio Corsini

Gomina

Trajecito última moda, de solapas ensanchadas
La cabeza más planchada que la raya 'el pantalón
Sos más seco que algarrobo, Gil a cuadros, pobre gato
Que servís pa'l patronato en la puerta del Richmond

Berretines de elegancia sacudieron tu sesera
Y prendido a la pollera de una mina de postín
Te das corte en la milonga dibujando figuritas
Y al final mangás la guita, pa' pagar el copetín

¡Gomina!
Que sos seco se adivina
Como yerba puesta al sol
¡Gomina!
Qué parado en una esquina
Relucís más que un farol
¡Gomina!
Te piantás con la propina
Si no te juna el garçón

¡Gomina!
Es tu vida tan mezquina
Como un traje de algodón
Que te siguen las pebetas, alumbradas por el brillo
De ese dulce de membrillo que en el mate te encajás
Ilusiones, pobre otario, las pibas no te persiguen

Son las moscas que te siguen a todas partes que vas
Y ese espejo que te engrupe y hoy refleja tu figura
Te reserva la amargura de tu falso relumbrón
Qué en la cancha de la vida, poco a poco irás quedando
Desplumado y cacareando como el gallo de morón

Gomina

Trajezinho da última moda, com lapelas largas
A cabeça mais lisa do que a risca da calça
Você é mais seco do que algaroba, bobo quadriculado, pobre gato
Que serve para o patronato na porta do Richmond

Delírios de elegância abalaram sua cabeça
E agarrado à saia de uma mulher de classe
Você se exibe na milonga desenhando figurinhas
E no final rouba o dinheiro para pagar o copo

Gomina!
Que você é seco se adivinha
Como erva exposta ao sol
Gomina!
Parado em uma esquina
Você brilha mais do que um poste
Gomina!
Você vai embora com a gorjeta
Se o garçom não te conhece

Gomina!
Sua vida é tão mesquinha
Como um terno de algodão
As garotas te seguem, iluminadas pelo brilho
Dessa goiabada que você coloca no mate
Ilusões, pobre otário, as garotas não te perseguem

São as moscas que te seguem para onde quer que você vá
E esse espelho que te engana e hoje reflete sua figura
Reserva para você a amargura do seu falso brilho
Na partida da vida, aos poucos você vai ficando
Desplumado e cacarejando como o galo de Morón

Composição: Luis Roldán / Enrique Pedro Delfino