Pedacito de Cielo
La casa tenía una reja
Pintada con quejas y cantos de amor
La noche llenaba de ojeras
La reja; la hiedra y el viejo balcón
Recuerdo que entonces reías
Si yo te decía mi verso mejor
Y ahora capricho del tiempo
Leyendo esos versos lloramos los dos
Los años de la infancia pasarón; pasarón
La reja está dormida de tanto silencio
Y en aquel pedacito de cielo se quedó tu alegría y mi amor
Los años han pasado terribles; malvados
Dejando una esperanza que no ha de llegar
Y recuerdo tu gesto travieso después de aquel beso robado al azar
Tal vez se enfrió con la brisa
Tu pálida risa; tu limpida voz
Tal vez escapó a tus ojeras
La reja; la hiedra y el viejo balcón
Tus ojos de azúcar quemada
Tenían distancias doradas al Sol
Y hoy quieres hallar como entonces
La reja de bronce temblando de amor
Los años de la infancia pasarón; pasarón
La reja está dormida de tanto silencio
Y en aquel pedacito de cielo se quedó tu alegría y mi amor
Los años han pasado terribles; malvados
Dejando una esperanza que no ha de llegar
Y recuerdo tu gesto travieso después de aquel beso robado al azar
Pedacinho de Céu
A casa tinha um portão
Pintado com queixas e canções de amor
A noite trazia olheiras
O portão; a hera e a velha sacada
Lembro que então você ria
Se eu te falava meu verso mais bonito
E agora, capricho do tempo
Lendo esses versos, choramos os dois
Os anos da infância passaram; passaram
O portão está dormindo de tanto silêncio
E naquele pedacinho de céu ficou sua alegria e meu amor
Os anos passaram, terríveis; malvados
Deixando uma esperança que não vai chegar
E lembro do seu gesto travesso depois daquele beijo roubado ao acaso
Talvez tenha esfriado com a brisa
Sua risada pálida; sua voz clara
Talvez tenha escapado das suas olheiras
O portão; a hera e a velha sacada
Seus olhos de açúcar queimado
Tinham distâncias douradas ao Sol
E hoje você quer encontrar como antes
O portão de bronze tremendo de amor
Os anos da infância passaram; passaram
O portão está dormindo de tanto silêncio
E naquele pedacinho de céu ficou sua alegria e meu amor
Os anos passaram, terríveis; malvados
Deixando uma esperança que não vai chegar
E lembro do seu gesto travesso depois daquele beijo roubado ao acaso
Composição: Enrique Mario Francini / Héctor Stamponi / Homero Expósito