Pabellón Séptimo (Relato de Horacio)
Me asfixio, Dios
Pienso en mi cara
Se está quemando
Ahora, mi cara
Dios
Una explosión
Y los colchones se prenden fuego
Y nos quemamos vivos
Quiero salir, quiero escapar
Las puertas siguen encerrojadas
El pabellón
Por un segundo se nubló todo
Y ya no vemos nada más
Pruebo trepar hasta un ventanal
Buscando el aire y me balean fiero
Viejita, amor, hijas y amigas
Buscan noticias en la puerta, ahí fuera
Tiempo después, escucho aún
El ruido loco de los paloteros
Buscan así baldosas flojas
Donde escondemos tesoro y miserias
Pobrecito
Pobre el Cebolla, no pudo más
Se degolló por miedo
Nadie es capaz
No pueden borrar mis recuerdos
Nadie es capaz
De matarte en mi alma
Y así te dan
Así te quiebran
Así te dan por culo allí sin más
Por esa vez la Vieja Cosechera
Vino por mí y no quiso besar mi vida
Estoy herido, estoy quemado
Voy en camilla por el Salaberry
Voy a tratar de hacer conducta aquí
Para rajar antes que mis pulmones
Si va a pasar algo conmigo
Quiero que sea en libertad allá afuera
Y nada más, irme y nada más
No quiero ver más gruesa de llavero
Ni mirar la pared si el pasarela grita
Para tapar quejidos y lamentos
Ya nunca más
Ya nunca más
Y nunca ya voy a olvidarte, Pablo Nunca
Pavilhão Sétimo (Relato de Horácio)
Estou sufocando, Deus
Penso no meu rosto
Está pegando fogo
Agora, meu rosto
Deus
Uma explosão
E os colchões pegam fogo
E nos queimamos vivos
Quero sair, quero escapar
As portas continuam trancadas
O pavilhão
Por um segundo tudo ficou nublado
E já não vemos mais nada
Tento escalar até uma janela
Buscando ar e me metralham ferozmente
Vovó, amor, filhas e amigas
Buscam notícias na porta, lá fora
Depois de um tempo, ainda ouço
O barulho louco dos paloteiros
Procuram assim por ladrilhos soltos
Onde escondemos tesouros e misérias
Coitadinho
Pobre do Cebolla, não aguentou mais
Se degolou de medo
Ninguém é capaz
Não podem apagar minhas memórias
Ninguém é capaz
De te matar na minha alma
E assim te dão
Assim te quebram
Assim te dão por trás ali sem mais
Por aquela vez a Velha Cosechera
Veio por mim e não quis beijar minha vida
Estou ferido, estou queimado
Vou de maca pelo Salaberry
Vou tentar me comportar aqui
Para sair antes que meus pulmões
Se algo vai acontecer comigo
Quero que seja em liberdade lá fora
E nada mais, ir embora e nada mais
Não quero ver mais chaveiro grosso
Nem olhar para a parede se a passarela grita
Para abafar gemidos e lamentos
Nunca mais
Nunca mais
E nunca mais vou te esquecer, Pablo Nunca
Composição: Indio Solari, Los Fundamentalistas Del Aire Acondicionado