Tomei a bênção do pai
Abracei minha mãezinha
Apertei meu velho arreio
E dei de espora na eguinha
Meu rumo era o Rio Grande
No Triângulo Mineiro
Viajei, que não foi vida
Quase um mês e meio inteiro
Mas cheguei vivo pra festa
Do peão de boiadeiro
Barretos me recebeu
Num afetuoso abraço
Bem-vindo, peão valente
Eu ouvia a cada passo
Fui entrando na cidade
Recebendo as homenagens
Parecia que eu montava
Um burro de alta linhagem
Eu cheguei, montado em égua
Já cheguei com desvantagem
O desfile de abertura
Tinha quase duas léguas
Todo mundo me apontava
Olha lá, o moço da égua
Desfilei muito calado
Mas comigo eu repetia
Não se mede um peão
Pela sua montaria
No rodeio eu vou mostrar
Que eu tenho categoria
Pondo a modéstia de parte
Sucedeu como eu dizia
Já no primeiro rodeio
Todo mundo me aplaudia
Repassei a tropa toda
O Capeta e o Ventania
Boi Zebu não foi problema
Topo qualquer montaria
Dos homens ganhei dinheiro
E das mulheres, gritaria
Cada vez que eu montava
Eu passava outro pra trás
Gaúcho fazia muito mais
Nessa altura me avançaram
Quase me rasgaram o terno
Vai ser peão bicharedo
Lá nos quintos do inferno
Uma morena gritou
Já te pus no meu caderno
Entre prêmios e gorjetas
Recebi um dinheirão
Tenho um burro bem calçado
E uma mulher no coração
Amanhã volto pra casa
Minha mãe me quer também
Só levo muita saudade
De Barretos e do meu bem
Adeus, povo hospitaleiro
Eu volto no ano que vem
Composição: F. A. Bezerra de Menezes