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Samba-Enredo 2027 - Anarriê, Alavantu: O Grande Auto de Maracanaú

Inocentes de Belford Roxo

Eu me arrumei de mala e cuia
Mandei tudo pra cucuia
No caminho eu me alimento
Irmão Baiano disse no clarão da lua
A verdade nua e crua
Pra que a memória não se perca no vento
Eh, Siará na poeira da estrada
Eh, Ceará fé no cabo da enxada
É Pitaguary o mel do Cauim
Na luz da manhã
Há um xodó, forrobodó, Marakanã
Doutor, ai, doutor, trajetória de excelência
Que escreve a história pelo ofício da ciência

O homem tá doidjo, Maria
Será o moreno de lá
Poeta é o boi só não sei quem foi
Que fez holandês virar causo
Pra encher prato raso
E a gente brincar

O vei Dom Quixote desta terra
Da vacina sem revolta
Sem espada nem canhão
Sabia que é preciso uma rede
Pra que a fome mate a sede
E acabe a exclusão
Mas eu que vivo minha vida tão ladina
A paixão é Cajuína, engarrafaram o sertão
Se quiser brigar eu fujo antes que eu me esqueça
Faço igual ao caramujo levo a casa na cabeça
Pajuçara, minha gente, dê-me um lote de caju
Vou pro São João mais quente em meu Maracanaú

Anarriê, alavantu
Zabumbeia, mas não faz um sururu

Alavantu, alavantu, anarriê
No arraiá dos Inocentes a sanfona vai gemer

Composição: Gustavo Clarão, Cláudio Russo, André Russo, Washington Paz