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Canção da Memória Quebrada

Inti-Illimani

Cántiga De La Memoria Rota

Vino a nadar la playa entre mis rocas,
El mar me ha contemplado ola tras ola,
El barco ha timoneado mi carcasa
Y escucha mi rumor la caracola.

El calor se despoja de mi lana,
La oveja me trasquila en cada estío,
Mi padre bebe de mi vino brusco
Y mi madre se cuelga de mi avío.

Un caballo y su espuela me cabalgan,
Un camino me pisa diariamente,
Los zapatos del polvo me han hollado
Y el sol me considera un inclemente
Que quema con sus rayos a la gente.

La tierra ha preparado mi piel llana,
El arado me surca embravecido,
El trigo ha dispersado mis semillas
Y el pan con diente claro me ha mordido.

El frío hace un chamanto con mi sangre,
La boca de un aullido me proclama,
La casa que me habita no me barre
Y sobre mi extensión duerme una cama.

La puerta me golpea en busca de alguien,
La lágrima me enjuga en dos pañuelos,
Un espejo se mira en mis ultrajes
Y hay un libro que lee en mi desvelo.

La duda me confunde con abrigo,
El malhechor comenta mi mal paso,
Un país me ha buscado sobre el mapa
Y no ha encontrado nunca el menor trazo,
Y esa herida me venda la amargura
Y la muerta se duerme entre mis brazos.

Canção da Memória Quebrada

Veio nadar na praia entre minhas pedras,
O mar me observou onda após onda,
O barco pilotou minha carcaça
E a concha escuta meu murmúrio.

O calor se despede da minha lã,
A ovelha me tosquia em cada verão,
Meu pai bebe do meu vinho forte
E minha mãe se pendura no meu barco.

Um cavalo e sua esporas me montam,
Um caminho me pisa todo dia,
Os sapatos do pó me marcaram
E o sol me vê como um cruel
Que queima com seus raios a galera.

A terra preparou minha pele lisa,
O arado me corta enfurecido,
O trigo espalhou minhas sementes
E o pão com dente claro me mordeu.

O frio faz um manto com meu sangue,
A boca de um uivo me proclama,
A casa que me abriga não me varre
E sobre minha extensão dorme uma cama.

A porta bate em busca de alguém,
A lágrima me enxuga em dois lenços,
Um espelho reflete meus ultrajes
E há um livro que lê em meu desvelo.

A dúvida me confunde com abrigo,
O malfeitor comenta meu passo em falso,
Um país me procurou no mapa
E nunca encontrou o menor traço,
E essa ferida me cura a amargura
E a morta se deita entre meus braços.

Composição: Horacio Salinas / Patricio Manns